Bloomberg Línea — Os investidores brasileiros repercutem nesta quarta-feira (19) a entrega do texto do arcabouço fiscal ao Congresso, feita ontem (18), quase três semanas após ser apresentado pelo ministro da Fazenda Fernando Haddad.
Nos Estados Unidos, os olhares ainda continuam voltados para os balanços, com Morgan Stanley (MS) e Tesla (TSLA) na agenda de hoje, ao mesmo tempo em que continuam monitorando sinais do Federal Reserve (Fed) sobre o aperto monetário.
Na Europa, a manutenção da inflação do Reino Unido acima dos 10% em março continua a preocupar o mercado, indicando que um aumento dos juros em 0,25 ponto percentual pode ser uma realidade na próxima reunião do Banco da Inglaterra (BOE, na sigla em inglês).
A inflação “teimosa” no Reino Unido também derrubou o bitcoin, que caiu abaixo do nível de US$ 30.000. O maior token caiu até 4,5% antes de reduzir parte da queda para ser negociado em cerca de US$ 29.175.
No cenário corporativo, a Meta (META) se prepara para realizar novos cortes em seu quadro de funcionários. Um memorando visto pela Bloomberg News indica que Facebook, WhatsApp, Instagram e Reality Labs — que abriga os esforços de realidade virtual da empresa e o hardware Quest — serão afetados.
Na agenda econômica, os destaques de hoje ficam com a divulgação da produção industrial brasileira às 9h, no horário de Brasília, e com a publicação do Livro Bege do Fed às 15h.
Confira a seguir cinco destaques desta quarta-feira (19):
1. Arcabouço fiscal
O texto do arcabouço fiscal foi entregue na terça-feira, em uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o vice-presidente do Senado, Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
O projeto de lei teve alterações em relação ao que foi apresentado no fim de março, sendo que uma das principais mudanças tem a ver com as arrecadações extraordinárias, que não serão consideradas no cálculo do limite de crescimento real (acima da inflação) de 70% das receitas, limitado a um intervalo entre 0,6% e 2,5% acima da inflação.
A equipe econômica decidiu incluir a medida para evitar que receitas atípicas não corram o risco de se tornarem gastos permanentes. As receitas a serem excluídas do cálculo são as seguintes: privatizações, concessões, permissões, royalties (exploração de recursos naturais) e dividendos das estatais.
Outra mudança diz respeito aos tipos de gastos que podem ficar de fora da nova regra fiscal. Inicialmente, o governo tinha anunciado a intenção de excluir do arcabouço apenas o piso da enfermagem e o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).
Agora, também ficarão fora do limite de crescimento de gastos os acordos de precatórios (dívidas com sentença definitiva da Justiça) a serem pagos com desconto, os gastos relativos às eleições e os aumentos de capital da União a empresas estatais não financeiras e não dependentes do Tesouro Nacional.
2. Juros na Europa
Os traders aumentaram as apostas em novos aumentos das taxas de juros do Banco da Inglaterra depois que a inflação do Reino Unido permaneceu em dois dígitos, um alerta para os investidores que pensavam que o ciclo de aperto estava próximo do fim.
Os dados mostraram que os preços ao consumidor subiram 10,1% em março em relação ao ano anterior, impulsionados pelo maior aumento nos custos dos alimentos em mais de quatro décadas. Isso segue o forte crescimento salarial relatado na terça, aumentando as preocupações de que a inflação no Reino Unido se mostre mais rígida do que o previsto.
O mercado agora está precificando totalmente dois aumentos consecutivos de 0,25 p.p. em maio e junho, com um novo aumento esperado no final de 2023 que levaria a taxa básica do BOE a 5% até setembro – a maior esperada pelos traders neste ano.
3. Mercados
As ações europeias e os contratos futuros de ações dos Estados Unidos recuam nesta manhã, enquanto os rendimentos dos títulos sobem, com os traders avaliando os últimos relatórios de lucros corporativos no contexto de mais um dado elevado de inflação de uma das principais economias do mundo.
O índice Stoxx Europe 600 recuava 0,3% por volta das 8h35 (horário de Brasília), com o setor de tecnologia liderando as perdas. Nos EUA, os contratos futuros do Nasdaq 100, sensível às taxas, cediam cerca de 0,8%, enquanto os do S&P 500 caíam 0,6% antes da divulgação de balanços de bancos americanos.
4. Manchetes
Estadão: Vera Rosa: ‘Maior pressão contra ajuste das contas públicas proposto por Haddad deve vir do próprio PT’
Folha de S. Paulo: Apuração da PF cita elo entre PCC e defesa de Adélio, mas direção vê tese furada
O Globo: Governo Lula avalia mudar regra que impede apuração disciplinar de militares em cargos civis
Valor Econômico: Projeto do arcabouço fiscal desperta reações mistas de economistas e tem crítica a número alto de exceções
5. Agenda
Nos Estados Unidos, a agenda começa às 11h30, com a publicação dos estoques de petróleo bruto e em cushing. Às 14h, acontece o leilão de títulos de 20 anos. Às 20h, acontece o discurso de Williams, membro do FOMC.
Na Europa, ao meio-dia acontece o pronunciamento de Schnabel, do Banco Central Europeu (BCE).
Na China, às 22h15 é divulgada a taxa preferencial de empréstimo do BPC.
-- Com informações de Agência Brasil
-- Com informações da Bloomberg News
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