Bloomberg Línea — A quarta-feira (5) se inicia com os investidores de olho nas decisões de juros da Austrália e da Nova Zelândia aumentando as preocupações sobre uma desaceleração econômica mais profunda, ao mesmo tempo em que aguardam novos dados sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos, que podem indicar os próximos passos do Federal Reserve (Fed).
As vagas de emprego dos EUA caíram em fevereiro para o nível mais baixo desde maio de 2021, mostrou a Pesquisa de Vagas de Emprego e Rotatividade de Trabalho do Departamento do Trabalho na terça-feira (4). A leitura ficou abaixo de todas as estimativas em uma pesquisa da Bloomberg.
A crise do setor bancário, que parecia ter diminuído nos últimos dias, voltou a preocupar os traders após o CEO do JPMorgan (JPM), James Dimon, afirmar que ela “ainda não acabou” e que será sentida por anos.
Por aqui, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central (BC), participa hoje de dois eventos, a começar pelo “Bradesco BBI Investment Forum” durante a manhã, e do “Esfera Recebe”, a partir do meio-dia, horário de Brasília.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em entrevista à Bloomberg News que estuda uma série de medidas para impulsionar o crédito na maior economia da América Latina, tendo o destravamento do crédito como prioridade depois do arcabouço fiscal.
Confira as notícias que devem movimentar os mercados nesta quarta-feira (5):
1. Destravamento de crédito
Fernando Haddad estuda uma série de medidas para impulsionar o crédito no Brasil, dizendo que o mercado de capitais ficou “paralisado” sob o peso de altas taxas de juros.
O ministro da Fazenda, que se juntou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao criticar a política monetária restritiva do Banco Central, disse que discutir uma agenda de crédito com o BNDES será sua próxima prioridade depois de aprovar um plano fiscal destinado a fortalecer as finanças públicas.
“Quem busca o mercado de capitais no Brasil hoje é quem realmente precisa de capital de giro, até mesmo dinheiro para folha de pagamento”, disse Haddad na terça-feira (4) durante uma entrevista à Bloomberg News em seu gabinete em Brasília. “Eles [empresários] estão pegando empréstimos e olhando para o passado em vez de fazer investimentos e olhar para o futuro.”
Entre as medidas em estudo, disse o ministro, está um proposta da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para um programa de crédito subsidiado semelhante ao chamado “plano safra” que existe para o setor agrícola. O plano atenderia empresas que buscam capital para investimentos de longo prazo e para projetos de transição ambiental.
2. Juros nos Estados Unidos
A presidente do Federal Reserve Bank de Cleveland, Loretta Mester, disse que os formuladores de políticas devem mover sua taxa de referência acima de 5% este ano e mantê-la em níveis restritivos por algum tempo para conter a inflação, com o nível exato dependendo da rapidez com que as pressões de preço diminuem.
Para colocar a inflação em um caminho estável para 2%, segundo ela, a política monetária precisa entrar “um pouco mais em território restritivo este ano, com a taxa dos Fed Funds subindo acima de 5% e a taxa real permanecendo em território positivo por algum tempo”.
3. Mercados
As ações globais recuam nesta quarta-feira após as mensagens agressivas dos bancos centrais da Nova Zelândia e da Austrália sinalizando uma luta prolongada contra a inflação e revivendo as preocupações sobre uma desaceleração econômica mais profunda.
O índice de referência da MSCI para ações mundiais caminha para suas primeiras perdas consecutivas desde 13 de março. Os índices futuros do S&P 500 e do Nasdaq 100 recuavam por volta das 8h40 (horário de Brasília), enquanto os operadores aguardam os números do ADP, de emprego privado nos EUA.
Os investidores estão no limite enquanto aguardam dados sobre o mercado de trabalho dos EUA para avaliar a extensão e a duração do aperto monetário do Federal Reserve.
Enquanto os mercados monetários reduziram suas apostas em um aumento de 25 pontos-base na próxima reunião do BC americano, a queda nas taxas de juros sofreu um forte abalo nesta quarta-feira, com o BC da Nova Zelândia elevando sua taxa de referência em duas vezes mais do que o previsto. O aumento das taxas, juntamente com a turbulência no sistema financeiro dos EUA, indicam que a economia mundial pode sofrer um golpe mais profundo.
4. Manchetes
Estadão: Mercado parado leva montadoras a propor ao governo plano de retomada do carro popular
Folha de S. Paulo: Datafolha: 30% se dizem petistas, e 22%, bolsonaristas
O Globo: Malu Gaspar: Saiba quais perguntas Jair Bolsonaro terá de responder em depoimento hoje à PF
Valor Econômico: Novos decretos do saneamento devem autorizar estatais a prestar serviço sem licitação
5. Agenda
Nos Estados Unidos, a agenda começa às 9h15, no horário de Brasília, com a divulgação da variação de empregos privados ADP. Às 9h30 são publicados dados sobre exportações, importações e a balança comercial referente a fevereiro.
Às 10h45 são divulgados o PMI composto S&P Global e o PMI do setor de serviço. Em seguida, às 11h, são publicados o ISM não-manufatura e o PMI ISM não-manufatura. Números sobre os estoques de petróleo bruto e em cushing são divulgados às 11h30.
Na China, às 22h45 é publicado o PMI Industrial Caixin e o PMI do setor de serviços Caixin.
-- Com informações da Bloomberg News.
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