Traders avaliam que Powell está errado e se posicionam para corte de juros nos EUA

Investidores têm subestimado regularmente o tamanho dos aumentos do Fed. Mas, até agora, todas essas apostas têm se mostrado infrutíferas

Fed elevou os juros na quarta-feira (22) em 0,25 ponto percentual, sua nona alta seguida
Por Ben Purvis - Garfield Reynolds
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Bloomberg — Os mercados sinalizam que o Federal Reserve está errado quando fala sobre a perspectiva de novos aumentos nas taxas de juros, com o investidor de renda fixa Jeffrey Gundlach fazendo coro ao prever cortes diante do maior risco de recessão.

Os rendimentos de títulos de prazo mais curto, que incluem Treasuries dos EUA, notas do governo da Alemanha e da Austrália, caíram nas últimas duas semanas à medida que investidores pessimistas sobre o cenário econômico consolidaram a visão de que o Fed precisará cortar os juros ainda este ano.

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Essa perspectiva tem reverberado no mercado global com o posicionamento de traders para o fim dos ciclos de aperto.

Os mercados de swap indicam que o Fed pode ter encerrado seu atual ciclo de aperto monetário: a probabilidade de uma alta de 0,25 ponto percentual em maio caiu para apenas uma em três.

O mercado também precifica pelo menos 0,75 ponto percentual de redução das taxas até o fim do ano, apesar de o presidente do Fed, Jerome Powell, ter insistido na quarta-feira (22) que as autoridades não antecipam cortes.

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Gundlach, diretor de investimentos da DoubleLine Capital, vê o Fed reduzindo as taxas “substancialmente” em breve, de acordo com postagens no Twitter. Ele também apontou “sinais de alerta vermelho de recessão” provenientes da curva de juros dos EUA.

O “yield” dos Treasuries de dois anos caiu 18 pontos-base na quinta-feira (23), para 3,75%, tendo subido anteriormente perto de 7 pontos-base, o que marcou a 11ª sessão consecutiva com uma faixa intradiária de mais de 20 pontos-base.

O rendimento já caiu quase um ponto percentual em março, no declínio mais acentuado em um mês desde 1987.

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Parte da razão para a volatilidade crescente é que os títulos saíram de um fevereiro difícil, com o salto dos rendimentos quando o Fed liderou os bancos centrais globais em uma reação contra as apostas em guinadas da política monetária.

Traders têm subestimado regularmente o tamanho dos aumentos do Fed. Começaram a antecipar um giro da política em meados do ano passado, com a aposta de que a taxa básica do Fed seria mais baixa em um ano do que esperavam em seis meses. Mas, até agora, todas essas apostas têm se mostrado infrutíferas.

“Os investidores estão buscando rendimentos seguros devido aos temores de estresse bancário e condições financeiras mais apertadas, preocupações com o setor imobiliário comercial e uma visão geral de que o Fed – e o BoE – levaram as taxas de juros muito fundo em território restritivo, por enquanto”, disse William O’Donnell, estrategista de juros dos EUA no Citigroup Global Markets.

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“Não muito longe”

O Fed elevou os juros na quarta-feira (22) em 0,25 ponto percentual, sua nona alta seguida, enquanto o Banco da Inglaterra no dia seguinte também subiu a taxa básica em 0,25 ponto percentual, no 11º aumento consecutivo.

O Banco Central Europeu ainda deve aumentar os juros mais uma vez e, provavelmente, uma segunda, antes de parar. Projeções indicam que autoridades da Austrália podem manter os juros no próximo mês e depois cortar as taxas já em agosto.

“Os mercados estão inclinados a pensar que estamos no fim do ciclo de aperto para os EUA, apesar das observações de Powell de que os cortes das taxas ainda não estão nas cartas”, escreveram em nota analistas do Société Générale, liderados pelo chefe de estratégia de taxas de juros dos EUA, Subadra Rajappa.

Os rendimentos de dois anos dos títulos alemães caíram 18 pontos-base na quinta-feira, após subirem 35 pontos-base nos dois dias anteriores.

Investidores podem achar melhor recuar nos ralis dos títulos europeus, já que os “bancos centrais da região têm mais terreno a cobrir em sua batalha contra a inflação”, disseram analistas do SocGen.

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