Softbank vê janela para IPOs de startups da América Latina no fim do ano

Em entrevista à Bloomberg News, Juan Franck, managing partner do Latin America Fund, diz ver ainda listagem de empresas como Rappi, Kavak, Madeira Madeira, Unico e Clip

SoftBank vê Rappi abrindo capital no final deste ano ou no início do próximo, se os mercados globais se estabilizarem
Por Andrea Navarro

Leia esta notícia em

Espanhol
PUBLICIDADE

Bloomberg — As startups do Brasil e da América Latina com resultados consistentes e que estão próximas do lucro podem conseguir abrir o capital no fim deste ano ou no começo de 2024, segundo um dos maiores investidores globais na região, o SoftBank.

Nessa lista estão startups como o aplicativo de entrega colombiano Rappi, segundo maior no mercado brasileiro. A concretização de uma oferta vai depender de os mercados globais se estabilizarem.

PUBLICIDADE

“Empresas em estágio maduro, como o Rappi, estavam a caminho de se tornarem públicas” até a recente turbulência do mercado, disse Juan Franck, managing partner do SoftBank Latin America Fund, que investiu no Rappi e em muitas outras startups da região, em entrevista à Bloomberg News.

A janela para IPOs fechou com os mercados esfriando em meio aos aumentos das taxas de juros, disse ele em entrevista na Cidade do México. Mas, quando abrir novamente, o que Franck estima que pode acontecer até o final do ano ou o início de 2024, “acredito que muitas de nossas empresas que estão em um caminho claro para a lucratividade considerarão uma listagem pública”.

A lista inclui ainda Kavak, Creditas, Madeira Madeira, Unico e Clip, disse. Um porta-voz do Rappi disse que um IPO “não está em andamento hoje”.

PUBLICIDADE

Em 2021, o cofundador do Rappi Juan Pablo Ortega havia planejado o primeiro semestre de 2022 para um IPO, embora a empresa tenha dito mais tarde que a declaração refletia seus “sentimentos pessoais” e não representava os planos da empresa.

O aplicativo de entregas foi avaliado em US$ 5,25 bilhões em 2021. Também é apoiado pela Sequoia Capital, pela Andreessen Horowitz e pela Tiger Global Management.

Franck colidera o Latin America Fund com Alex Szapiro e ingressou no SoftBank em 2019, quando o agora ex-COO Marcelo Claure lançou o fundo. Franck trabalhou anteriormente na Temasek, fundo soberano de Singapura, na Cidade do México e no Barclays em Nova York.

PUBLICIDADE

O SoftBank já investiu cerca de US$ 7,4 bilhões de um total de US$ 8 bilhões que planeja alocar na região como parte de seu fundo para a América Latina. Quando gastar os US$ 600 milhões restantes, Franck disse que o fundo que administra terá acesso a US$ 50 bilhões alocados no Vision Fund II.

A quebra do Silicon Valley Bank (SVB) no início de março é uma mensagem de alerta em um contexto de alta volatilidade, acrescentou.

“Ainda temos que ver como o mercado vai digerir isso nas próximas semanas e ficar atentos porque ninguém pode dizer que não vai acontecer de novo”, disse.

PUBLICIDADE

“Mas os empreendedores latino-americanos são resilientes – eles passaram por isso e não estão muito preocupados com a volatilidade do mercado, principalmente porque estão construindo empresas para o longo prazo.”

-- Com a colaboração de Ezra Fieser.

Veja mais em Bloomberg.com

Leia também:

iFood terá que limitar exclusividade com restaurantes; Rappi vê reequilíbrio

O que o pedido de IPO desta startup de delivery diz sobre o futuro do negócio

Rappi não será vendida e IPO segue nos planos, diz membro do time fundador