Bloomberg — A China diminuiu a taxa de depósito compulsório dos bancos em mais um esforço de estimular o crédito e fortalecer a recuperação da economia.
O Banco Popular da China cortou em 0,25 ponto percentual o requisito de reservas que as instituições financeiras devem manter junto à autoridade monetária, segundo comunicado nesta sexta-feira (17). A redução, que segue um corte da mesma magnitude em dezembro, se aplica a quase todos os bancos, a partir de 27 de março.
Economistas disseram que o corte visa garantir liquidez ao sistema bancário para sustentar o ritmo acelerado de concessão de crédito observado em janeiro e fevereiro.
Os gastos e investimentos do consumidor na China se recuperaram nos primeiros dois meses do ano, depois que as restrições contra a covid foram suspensas em dezembro, de acordo com dados oficiais recentes. Mas a recuperação permanece incerta. O desemprego ainda está elevado, o investimento imobiliário continua em contração, e as exportações em queda inibem a produção industrial.
“Parece que o banco central não vai desacelerar o ritmo de crescimento do crédito como as pessoas temiam”, disse Xing Zhaopeng, estrategista sênior para China do Australia & New Zealand Banking Group.
O corte do compulsório pode também ser devido a preocupações de que o crescimento do crédito possa cair em abril, após a conclusão do financiamento de vários projetos de investimento liderados pelo governo no início deste ano, acrescentou Xing.
O BC chinês disse que o corte visa manter “liquidez razoável e suficiente” e garantir que a base monetária aumente de acordo com o crescimento econômico nominal. O banco central acrescentou que não planeja inundar o sistema com grandes estímulos.
A taxa média de depósito compulsório das instituições financeiras ficará em 7,6% após o corte, disse o banco central. O corte não se aplica aos credores cuja taxa já está em 5%, acrescentou.
“Trata-se de aumentar a capacidade de emprestar dos bancos, após forte concessão de crédito corporativo de longo prazo e emissão de títulos de governos regionais para financiar investimentos em infraestrutura e produção industrial em janeiro e fevereiro”, disse Duncan Wrigley, economista-chefe da Pantheon Macroeconomics para a China.
Pequim estabeleceu uma meta de crescimento do PIB moderada para os padrões chineses, de cerca de 5% para este ano, e sinalizou que isso dependerá de uma recuperação nos gastos do consumidor, evitando estímulos fiscais e monetários em grande escala.
--Com a colaboração de Yujing Liu, Chester Yung e April Ma
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