Bloomberg Línea — O dólar é negociado abaixo de R$ 5,10, em uma sessão de forte queda nesta quarta-feira (25), dia de feriado em São Paulo.
A moeda americana recuava mais de 1% por volta das 16h (horário de Brasília), alcançando os menores patamares do ano. De acordo com Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital, o movimento acontece em meio ao cenário de maior apetite ao risco, com forte entrada de capital estrangeiro, o que contribui para a valorização do real.
“O governo está há alguns dias sem dar grandes declarações polêmicas sobre o rumo fiscal, o que traz um cenário positivo para o Brasil, sinalizando que as políticas fiscal e econômica vão ser conduzidas de forma controlada”, diz.
Aliado a isso, uma taxa de juros mais alta – uma das mais altas do mundo – contribui para um carry trade atrativo, avalia Izac. O especialista chama a atenção ainda para os temores de recessão nos Estados Unidos em meio à temporada de balanços e antes da reunião de política monetária dos EUA na próxima semana, ampliando o apetite ao risco por emergentes, com destaque positivo para o Brasil.
“Se continuarmos navegando nesses mares, podemos ver o real sendo negociado em um patamar mais valorizado”, completou.
Cena doméstica
Na bolsa, o Ibovespa (IBOV) apagou as perdas da manhã e operava em alta por volta das 16h15 (horário de Brasília), com ganhos de 0,92%. É feriado em São Paulo, mas a B3 opera normalmente.
No noticiário corporativo, a Americanas (AMER3) entregou na noite de terça-feira (24) a lista de credores, com o Bradesco (BBDC4) e o Deutsche Bank liderando o grupo. O banco alemão nega ter exposição de crédito à varejista.
Segundo o documento enviado pela companhia à 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, o passivo sujeito à recuperação judicial soma R$ 41,2 bilhões devidos à 7.720 credores. O dado diverge dos números apresentados pela Americanas no pedido de recuperação judicial, que apontava uma dívida estimada de R$ 43,1 bilhões com 16.300 credores. A ação subia cerca de 16% na B3 por volta das 16h15.
Destaque ainda para a Petrobras (PETR3; PETR4), que recebeu aval para a nomeação de Jean-Paul Prates à presidência da estatal. O indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será apreciado pelo conselho de administração na quinta-feira (26).
Bolsas internacionais
O movimento da bolsa brasileira é contrário ao visto nos mercados internacionais, que caem em meio à temporada de balanços corporativos nos Estados Unidos e temores geopolíticos.
Em um dia de agenda de indicadores esvaziada, as atenções recaem sobre a safra de balanços de grandes empresas nos EUA. Após o fechamento serão divulgados os números da Tesla (TSLA) e da IBM (IBM). Ontem, a Microsoft (MSFT) alertou para uma desaceleração à frente, alimentando preocupações sobre a saúde das empresas americanas.
Os mercados monitoram ainda a decisão de Berlim de aprovar a reexportação de tanques de fabricação alemã, o que poderia provocar uma escalada da guerra na Ucrânia.
Confira o desempenho dos mercados nesta quarta-feira (25):
- Por volta das 16h15 (horário de Brasília), o Ibovespa subia 1,08%, aos 114.252 pontos;
- O dólar à vista recuava 1,24%, negociado a R$ 5,08;
- Nos EUA, os índices recuavam: o Dow Jones caía 0,06%, o S&P 500, 0,07%, enquanto o Nasdaq tinha queda de 0,28%;
-- Com informações da Bloomberg News
Leia também:
Ações da Microsoft caem antes da abertura em NY após projeções desapontarem
Itaú diz que é ‘leviana’ a tentativa da Americanas de colocar a culpa nos bancos









