Queda do dólar é aposta favorita à espera de pausa do Fed

Cenário global para a moeda deu uma drástica guinada nos últimos meses; Morgan Stanley projeta que o euro terminará 2023 em 1,15 por dólar

Moeda corre risco de enfrentar novos períodos de baixa neste ano
Por Ruth Liew
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Bloomberg — O rali do dólar a partir de uma mínima de oito meses pode ter vida curta diante da crescente expectativa de que o Federal Reserve (Fed) vai desacelerar o ritmo de aumentos dos juros, o que deve manter a pressão vendedora sobre a moeda americana.

O índice Bloomberg Dollar Spot ainda mostra baixa de quase 2% desde o início do ano, após o grande volume de vendas de dólares por investidores. Com a redução das expectativas de inflação nos EUA, fundos desfizeram posições no ativo visto como porto seguro, o que levou a uma recuperação da maioria das moedas mais negociadas.

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Com “apenas duas semanas no ano, parece que o ‘compre dólar’, o grande ‘trade’ de 2022, agora se converte na posição vendida macro mais procurada, disse Patrick Bennett, estrategista do Canadian Imperial Bank of Commerce, em Hong Kong. Além do Fed, “também somos guiados por uma reversão da política covid zero na China, extinta bem antes do esperado”.

O cenário para o dólar deu uma drástica guinada nos últimos meses. Fundos da JPMorgan Asset Management e do Goldman Sachs (GS), por exemplo, preveem que em breve o Fed deve desacelerar o ritmo de aperto monetário. Traders agora esperam que a taxa de fundos federais do Fed atinja um pico de 4,94% frente à previsão de 5% no início deste mês.

O dólar corre risco de enfrentar novos períodos de baixa neste ano. Estrategistas do Morgan Stanley projetam que o euro terminará 2023 em 1,15 por dólar, acima da estimativa anterior de 1,08.

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“As forças macro que antes limitavam a fraqueza do dólar agora a amplificam”, escreveram em nota. “O crescimento global mostra sinais de dinamismo, as incertezas macro e inflacionárias estão diminuindo e o dólar perde rapidamente sua vantagem de carry”, destacaram em referência ao termo para arbitragem dos juros.

Dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) mostram que fundos alavancados reduziram vendas em ienes para o nível mais baixo desde fevereiro de 2021. Também cortaram apostas baixistas contra o dólar australiano e migraram para posições compradas líquidas em dólar da Nova Zelândia.

Pausa do Fed

A retomada da atividade econômica na China reforça a demanda por moedas sensíveis ao risco como o dólar australiano, que chegou a ultrapassar 70 centavos de dólar pela primeira vez desde agosto na segunda-feira.

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“O dólar está sob pressão diante da maior confiança de que uma pausa do Fed está próxima”, disse Rodrigo Catril, estrategista do National Australia Bank, em Sidney. A valorização do yuan é “igualmente importante” para moedas atreladas a commodities como o dólar australiano, diante da melhora da percepção de risco, disse.

-- Com a colaboração de Michael Wilson e Naomi Tajitsu

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