Bloomberg — A Opep reduziu novamente as previsões para a demanda global por petróleo. O grupo também cortou a produção com o objetivo de manter o equilíbrio dos mercados.
Devido ao cenário econômico mais fraco e às rigorosas medidas contra a Covid na China, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo cortou as estimativas para a quantidade que precisará bombear neste trimestre em 520 mil barris por dia, após uma redução semelhante há um mês.
Com isso, o corte da oferta de 2 milhões de barris por dia acordado pelo grupo e aliados no mês passado – que foi alvo de fortes críticas do presidente dos EUA, Joe Biden – deve diminuir a produção a níveis que equilibrem os mercados, mesmo que a reduções não sejam totalmente implementadas, indicou o relatório.
“A incerteza significativa em relação à economia mundial, acompanhada de temores de uma recessão global, contribui para o risco negativo de reduzir o crescimento da demanda por petróleo no mundo”, disse o departamento de pesquisa da Opep, com sede em Viena, em seu relatório mensal. A política Covid Zero da China “aumenta essa incerteza”.
Biden criticou a Arábia Saudita e parceiros depois de o grupo anunciar cortes no mês passado, acusando o governo de Riad de colocar em risco a economia global e favorecer a Rússia, membro da Opep+, em sua invasão da Ucrânia, o que também mantém os preços do petróleo elevados.
Desde então, as tendências do mercado de certa forma justificaram a decisão da Opep, pois as cotações permaneceram estáveis na maior parte do tempo, perto de US$ 95 o barril, mesmo com os sinais de oscilação da demanda. Embora a China – o maior importador de petróleo do mundo – tenha aliviado algumas restrições destinadas a eliminar os surtos de Covid, o governo diz que as medidas são apenas um ajuste e não um relaxamento da política.
Em participação na semana passada na cúpula COP27 no Egito, o ministro de Energia da Arábia Saudita, o príncipe Abdulaziz bin Salman, disse que a aliança Opep+ permanecerá “cautelosa” em sua política de produção.
Os mercados mundiais têm registrado superávit durante grande parte deste ano. O excesso de oferta diária subiu para 1,1 milhão de barris no último trimestre. O saldo médio para o ano será de 300 mil barris por dia, de acordo com o relatório.
A Opep projeta que precisará bombear uma média de 28,92 milhões de barris por dia de petróleo para atender a demanda durante o quarto trimestre, mostra o documento.
Embora o volume seja cerca de 574 mil barris por dia a menos do que seus 13 membros produziram em outubro, o superávit deve ser reduzido – e possivelmente transformado em déficit – à medida que a organização e aliados implementarem os cortes na produção.
Apenas parte da redução de oferta acordada deve ser executada, com o maior fardo sobre os pesos-pesados do Oriente Médio, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Outros membros têm pouca obrigação de cortar o volume, porque já estão produzindo abaixo de suas cotas de produção devido a anos de subinvestimento ou instabilidade política.
O relatório indicou que a demanda vai se recuperar sazonalmente no primeiro trimestre do próximo ano, o que retomaria a necessidade de petróleo da Opep. A aliança de 23 países da Opep+ se reúne para decidir sobre a política de produção para o início de 2023 no próximo dia 4 de dezembro, em Viena.
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