Bloomberg — O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva tenta adiar o processo de seleção do novo presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) depois que o governo de Jair Bolsonaro apresentou um candidato para liderar o principal credor latino-americano.
“Acharia de bom tom adiarem”, disse Gleisi Hoffmann, presidente do PT e membro da equipe de transição de Lula, a repórteres em Brasília na sexta-feira. “Temos um governo que foi eleito, não tem por que não esperar a posse do governo para poder fazer a indicação.”
Embora Hoffmann tenha dito que não estava ciente de nenhum pedido formal para adiar o processo, pessoas familiarizadas com o assunto disseram que a equipe de transição de Lula procurou os diretores do BID, em sua maioria ministros da Fazenda dos 48 países que são membros do banco, para sugerir o adiamento. As pessoas pediram para não serem identificadas porque não estão autorizadas a falar publicamente.

As indicações estão marcadas para se encerrar à meia-noite em Washington, com a seleção marcada para 20 de novembro. Lula assume o cargo em 1º de janeiro. Brasil e Argentina têm a maior participação votante no banco com sede em Washington depois dos EUA.
O governo do atual presidente Jair Bolsonaro indicou o nome de Ilan Goldfajn, ex-presidente do Banco Central e atual diretor do Hemisfério Ocidental no FMI. México, Chile e Argentina também planejam suas próprias candidaturas, e organizações financeiras internacionais como o BID normalmente tentam operar o máximo possível por um consenso.
O governo de Joe Biden disse que não planeja nomear um candidato e que a pessoa deve vir da região. Alguns Democratas criticaram profundamente a escolha do governo anterior de Donald Trump de nomear o conselheiro presidencial Mauricio Claver-Carone para o cargo em 2020, quebrando seis décadas de precedentes de que o chefe do banco veio da América Latina.
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