Bloomberg — O risco crescente de recessão global já afeta a balança comercial chinesa e a demanda mais baixa levou o país apontar em outubro a primeira queda de exportações e de importações em mais de dois anos. Além de países comprando menos, a política de controle Covid Zero também impactou os números, assim como uma menor demanda doméstica de insumos para o setor de construção.
As exportações em dólares caíram -0,3% em outubro em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo publicou nesta segunda-feira (7) a autoridade aduaneira do país. O dado também frustrou a expectativa de alta de +4,5% projetada pelos economistas. No caso das importações, o recuo no mês passado foi de -0,7%, a primeira queda desde agosto de 2020, com saldo comercial US$ 85,15 bilhões.
O dado amplia as pressões internas sobre a economia chinesa, que já está afetada pela queda dos números do mercado imobiliário e pelos persistentes contratempos gerados pelo controle da covid. Até o mês passado, a resiliência das vendas externas vinham dando apoio à recuperação da China nos últimos dois anos, com demanda internacional forte. Essa dinâmica, no entanto, parece ter sido anulada pelo fim da pandemia, pelas incertezas e pela pressão inflacionária resultante da guerra da Rússia contra a Ucrânia.
“O resultado reflete tanto a demanda externa enfraquecida como a falta de suprimentos gerada pelos bloqueios de segurança contra a covid”, avalia Zhang Zhiwei, presidente e economista-chefe da Pinpoint Asset Management. A expectativa, segundo ele, é de que os números de exportações continuem fracos nos próximos meses à medida que a economia global continue se desacelerando.
Os números chineses corroboram o que já tinha sido observado nos dados da Coreia do Sul, que também reportou uma piora dos números de comércio externo em outubro, refletindo uma rápida desaceleração da economia global, sobretudo no setor de tecnologia, em um cenário em que todos os países da zona do euro registraram diminuição da produção no mês passado, enquanto a atividade nos Estados Unidos já se retrai há quatro meses.
“As preocupações com a estagflação nos mercados desenvolvidos aumentaram à medida que as principais economias tornaram a política monetária mais restritiva”, disse Bruce Pang, economista chefe da Jones Lang LaSalle Inc. “As quedas nos dados do PMI nos EUA, Europa e Japão em outubro ante o mês anterior mostraram que a demanda de economias desenvolvidas pode continuar a se enfraquecer”.
As exportações da China se retraíram para os EUA e Europa, assim como para Taiwan e Hong Kong. Ainda assim, a demanda do sudeste asiático continuou forte, com aumento de dois dígitos pelo sexto mês seguido para o bloco regional denominado ASEAN pelo sexto mês seguido.
O desdobramento dos números mostra que o valor das exportações de eletrônicos caiu mais do que qualquer outro grupo nos primeiros 10 meses do ano, ficando 11,5% abaixo do apurado um ano antes, segundo dados da autoridade aduaneira chinesa. As exportações de mobiliário, equipamento de iluminação e dispositivos médicos também recuaram no período.
Do lado positivo, o país se manteve como um grande exportador de veículos e as empresas chinesas enviaram ao exterior 352.000 veículos e chassis no mês, 60% mais do que o total vendido um ano antes.
Demanda chinesa
Pelo lado das importações, a queda foi generalizada e mostrou a China comprando menos de Austrália, EUA, Japão, Coreia do Sul e Taiwan. As importações de mercadorias pela China cederam substancialmente em outubro, com a contração da economia limitando os embarques desde gás natural até cobre e soja. A queda do setor de construção civil também impôs uma diminuição da importação de minério de ferro nos primeiros 10 meses de 2022.
Com a colaboração de Fran Wang. Tradução de Bianca Ribeiro
Veja mais em Bloomberg.com
Leia também
© 2022 Bloomberg L.P.






