Barcelona, Espanha — (Esta é a versão atualizada da matéria publicada originalmente às 6h28)
A volatilidade mostra que veio para ficar. Pelo menos na sessão de hoje dos mercados financeiros, que iniciaram o dia em alta nos dois lados do Atlântico, mas nos Estados Unidos cambaleavam constantemente entre ganhos e perdas. A falta de um rumo tem a ver com a divulgação, ontem, de uma inflação norte-americana persistente e maior que a estimada por analistas. Os investidores consolidam as apostas em mais um aumento de juros da ordem de 0,75 ponto porcentual pelo Federal Reserve (Fed) em novembro.
As bolsas europeias sustentavam ganhos ao redor de 1% instantes atrás, enquanto os futuros de índices nos Estados Unidos mostravam intensa volatilidade, com os principais contratos mudando de sinal constantemente. A expectativa está focada agora nos balanços bancários antes da abertura dos negócios em Wall Street. No mercado asiático, a valorização foi ampla, com alguns índices registrando a maior alta em sete meses, puxados pelo setor de tecnologia.
No mercado de dívida, o rendimento dos títulos do Reino Unido com vencimento em 10 anos recuava 11 pontos em meio a sinais de que o governo inglês pode desistir de fazer grandes cortes de impostos. O rendimento de 10 anos chegou a cair 21 pontos para 3,99%, antes de reduzir parte do movimento. Já o prêmio dos bônus norte-americanos de 10 anos recuava.
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→ O que move os mercados hoje
🍽️ Prato do dia. Hoje, o foco estará nos resultados de grandes bancos internacionais, com expectativa de queda de seus ganhos por ação, apesar do favorecimento da alta dos juros. Além disso, no front macroeconômico se destacam as vendas varejistas e a confiança do consumidor (Universidade de Michigan) nos EUA. Os investidores monitoram hoje os comentários da dirigente do Fed, Lisa Cook, após o dado de inflação superar previsões.
🪖 Apoio da Starlink em xeque. Elon Musk alertou que sua empresa SpaceX não poderá arcar indefinidamente com os custos da internet de alta velocidade para a Ucrânia, alegando que os terminais Starlink ali implantados usam 100 vezes mais dados do que residências típicas, com custo que pode chegar a US$ 100 milhões até o final deste ano. Há alguns dias, Musk já havia sugerido que a Ucrânia proponha um acordo para acabar com a guerra.
🌡️ Gás em baixa. Os contratos futuros de gás natural chegaram a cair 5% nesta manhã após a Alemanha anunciar ter atingido 95% de sua meta de armazenamento do produto duas semanas antes do previsto. Essa informação melhora a perspectiva de a região resistir à demanda do inverno sem ter que recorrer a racionamentos. Também influencia a queda dos preços as previsões meteorológicas indicando temperaturas mais altas do que o normal para a temporada de inverno.
💸 Preços na vitrine. Hoje é a vez de Alemanha, França e Espanha divulgarem os dados de inflação de setembro, o que pode ajudar a calibrar as expectativas do mercado em relação à política restritiva do Banco Central Europeu (BCE) para controlar os preços na região. Na China, o IPC de setembro marcou +2,8%, abaixo do esperado pelos analistas, como resultado da política Covid Zero e seu efeito depressor sobre a demanda.
🕹️ BoE no controle. Os investidores acompanham nesta sessão o encerramento da compra emergencial de títulos do governo do Reino Unido pelo Banco da Inglaterra (BoE) para equilibrar o mercado, no valor equivalente a US$ 74 bilhões. O mercado monitora também sinais de que o governo do Reino Unido estaria se preparando para abandonar seu grande plano de corte de impostos, que disparou a volatilidade no mercado de dívida e forçou a intervenção do BoE.

🟢 As bolsas ontem (13): Dow Jones Industrials (+2,38%), S&P 500 (+2,60%), Nasdaq Composite (+2,23%), Stoxx 600 (+0,85%), Ibovespa (-0,46%)
As bolsas em Wall Street tiveram um dia de grande volatilidade, mas encerraram com forte valorização após a divulgação dos dados da inflação norte-americana de setembro. O S&P 500 conseguiu recuperar mais de 40% das perdas sofridas durante seis dias consecutivos de negociação. Os preços ao consumidor dos EUA voltaram a subir mais do que o esperado, reforçando a possibilidade de outro aumento dos juros em 75 pontos base pelo Fed em novembro.
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Na agenda
Esta é a agenda prevista para hoje:
•EUA: Vendas no Varejo/Set, Estoques das Empresas/Ago, Sentimento do Consumidor- Univ. de Michigan, Preços de Bens Importados e Exportados/Set, Balanço Orçamentário, Reuniões do FMI)
• Europa: Zona do Euro (Balança Comercial/Ago, Encontro do Eurogrupo, Total de Ativos da Reserva/Set); Alemanha (Índice de Preços no Atacado/Set); França (Índice de Preços ao Consumidor/Set); Espanha (Índice de Preços ao Consumidor/Set)
• Ásia: China (Balança Comercial, Índice de Preços ao Consumidor e ao Produtor); Japão
• América Latina: Brasil (IBC-Br, Índice do Setor de Serviços/Ago); Argentina (IPC/Set)
• Bancos centrais: Boletim Trimestral do BoE, Compra de emergência de bônus pelo Bank of England (BoE) prevista para terminar. Discursam Lisa Cook (Fed) e Robert Holzmann (BCE)
• Balanços: (JPMorgan Chase & Co, Citigroup Inc, Morgan Stanley, UnitedHealth, U.S. Bancorp, Wells Fargo)
📌 Para segunda-feira:
EUA (Índice de Atividade Empire State/Out); China (PIB/3T22, Produção Industrial/Set, Vendas no Varejo/Set); Japão (Produção Industrial); Balanços (Bank of America, Bank of NY Mellon, Rio Tinto, Guaranty Bancshares)








