Barcelona, Espanha — (Esta é a versão ampliada e atualizada de nota publicada originalmente às 6h40)
Uma aparente calma voltava aos mercados dos Estados Unidos, depois da forte tormenta de ontem, quando o S&P 500 perdeu mais de 4% e a queda do Nasdaq superou os 5%. Os futuros de índices norte-americanos subiam, embora com menos força do que no começo da manhã, e entre as bolsas europeias o movimento era de baixa.
Na Europa, o índice Stoxx 00 cedia em torno de 0,5%, tendo diminuído sua queda graças ao desempenho de varejistas, liderados pela Inditex SA, cujo proprietário informou um aumento no lucro do grupo.
Os prêmios dos títulos do Tesouro dos EUA com 10 anos aumentavam, próximos do maior patamar em uma década. O dólar recuava depois de registrar, ontem, seu maior ganho em três meses.
Instantes atrás, o petróleo bruto da WTI mudava de rumo e passava a cair, negociado a US$ 87,28 por barril. A demanda chinesa por petróleo sofrerá a maior queda anual em mais de três décadas, com restrições contra Covid e uma crise imobiliária que pesam no crescimento do segundo principal consumidor mundial da commodity, disse a Agência Internacional de Energia.
O consumo chinês de petróleo cairá em 420.000 barris por dia, ou 2,7%, em 2022, na primeira queda anual desde um recuo de 1% em 1990, disse a agência com sede em Paris. O declínio daquele ano até agora foi o único em dados que remontam a 1984.
→ O norte dos mercados:
A inflação continua a ditar o rumo, já que um dos principais catalisadores de hoje será o índice de preços ao produtor dos EUA. A leitura inesperadamente alta da inflação ao consumidor de agosto nos Estados Unidos praticamente garantiu aos mercados que o Federal Reserve (Fed) aumentará os juros em 0,75 ponto percentual na próxima semana. Wall Street então começou a pesar a possibilidade de que o Fed opte por uma manobra de política monetária ainda mais agressiva. As chances de uma alta de um ponto completo aumentaram mais de 20%.
💦 Balde de água fria. O aumento acima do esperado dos preços nos EUA representou um verdadeiro um balde de água fria para o mercado, já que as apostas de que a inflação já tinha alcançado um teto começavam a desviar os investidores para os ativos de maior risco. O dado de ontem arrastou as bolsas norte-americanas para o seu pior nível em dois anos.
🦑 Inflação com tentáculos. O índice de preços ao consumidor é persistente e onipresente. Mas hoje, no Reino Unido, acendeu uma esperança de que possa estar alcançando um pico. A inflação britânica recuou ligeiramente de seu máximo em quatro décadas, de 10,1% em julho para 9,9% em agosto. O consenso dos economistas era de uma taxa de 10%.
A leitura alivia parte da pressão sobre o Bank of England (BoE). A primeira-ministra Liz Truss anunciou planos para congelar o aumento das contas de energia que se produzirá em outubro, uma medida que, segundo economistas, amortecerá uma nova disparada de preços neste inverno.
→ Leia o Breakfast, uma newsletter da Bloomberg Línea: Inflação, estopim de crises na AL

🟢 As bolsas ontem: Dow Jones Industrials (-3,94%), S&P 500 (-4,32%), Nasdaq Composite (-5,16%), Stoxx 600 (-1,55%), Ibovespa (-2,30%)
Os dados de inflação acima do esperado nos EUA foram o gatilho para um forte movimento de venda nas bolsas, pois reforçaram a aposta de um Fed mais agressivo no combate à alta dos preços. Em Wall Street, as bolsas tiveram o pior desempenho em dois anos, com quedas de até 5,2%, caso do Nasdaq 100, pesado em tecnologia. O IPC americano subiu 8,3% em agosto na base anual, acima da estimativa média dos economistas de 8,1%. O alívio nos preços dos combustíveis não foi suficiente para baixar mais os preços nos EUA.
→ Saiba mais sobre o vaivém dos Mercados e se inscreva no After Hours, a newsletter vespertina da Bloomberg Línea com o resumo do fechamento dos mercados.
Na agenda
Esta é a agenda prevista para hoje:
• EUA: EUA (IPP/Ago), Relatório Mensal da Agência Internacional de Energia (AIE), Estoques de Petróleo Bruto, Pedidos de Hipotecas de 30 anos - MBA
• Europa: Pronunciamento de Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia. Reino Unido (IPC e IPP/Ago, Índice Nationwide de Preços dos Imóveis)
• Ásia: Japão (Produção Industrial/Jul; Utilização da Capacidade Instalada/Jul, Balança Comercial/Ago)
• América Latina: Brasil (Vendas no Varejo/Jul, Confiança do Consumidor/Set); Argentina (IPC/Ago)
• Bancos Centrais: Falam Philip Lane, Elizabeth McCaul e Andrea Enria, todos do BCE
📌 Para a semana:
• Quinta: EUA (Estoques do Comércio, Vendas no Varejo, Pedidos Iniciais de Seguro-Desemprego, Índice Empire State de Atividade Industrial/Set)
• Sexta: Zona do Euro (IPC); EUA (Sentimento do Consumidor -Universidade de Michigan); China (Vendas de Casas, Vendas no Varejo, Produção Industrial, Taxa de Desemprego)
(Com informações da Bloomberg News)









