Barcelona, Espanha — O protagonismo é todo dos bancos centrais. A um dia da decisão do Banco Central Europeu (BCE) sobre juros e de um pronunciamento do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, os investidores hoje terão um tira-gosto com declarações de vários membros das principais autoridades monetárias mundiais. BCE, Fed, Banco da Inglaterra, da Alemanha e também do Canadá... Tem para todos os gostos.
⚡ Curto-circuito. Estas intervenções serão monitoradas com lupa, sobretudo em um contexto em que os mercados estão voláteis e os investidores confusos quanto ao contexto econômico mundial. A contradição cria ruído. De um lado, os investidores se acautelam diante da variedade de riscos no horizonte, que vão desde a crise energética na Europa até os lockdowns na China, passando pelo efeito da linha dura dos bancos centrais sobre a economia real.
Por outro, indicadores norte-americanos de emprego e dos setores de serviços e manufatura apontam para uma melhora das perspectivas, sugerindo que o Fed tem margem para subir mais agressivamente os juros, em 0,75 ponto percentual. Essa avaliação foi o que provocou uma venda massiva de bônus do Tesouro. Instantes atrás, os títulos dos EUA com 10 anos de prazo tinham uma ligeira melhora, mas se voltarem a pedir prêmios maiores, pavimentarão o caminho de sua sexta perda semanal consecutiva.
😮💨 Menos fôlego comercial. A política chinesa de isolamento pela Covid-19, assim como a perda de ritmo da economia global, deixam rastros na economia. Esta madrugada, a China divulgou que suas exportações cresceram a um ritmo mais lento em agosto, 7,1% na base anual, frente aos 13% projetados pelos analistas e o avanço de 18,0% em julho. As importações subiram apenas 0,3% (contra expectativas de que aumentassem 1,1%).
🇪🇺 Na Europa... No segundo trimestre de 2022, o PIB ajustado sazonalmente aumentou 0,8% na Zona do Euro e 0,7% na União Europeia, em comparação com o trimestre anterior, de acordo com o Eurostat, o escritório de estatísticas do bloco. No primeiro trimestre de 2022, o PIB havia crescido 0,7% na Eurozona e 0,8% na UE.
→ Assim se movimentam os mercados esta manhã:
Na Europa, as ações recuavam ante a expectativa em torno da decisão sobre juros, amanhã, do BCE. Ao mesmo tempo, a perspectiva de um aperto monetário agressivo por parte do Fed empurrava o dólar para um novo recorde na quarta-feira.
A força do dólar, alimentada pelo aumento dos rendimentos do Tesouro e preocupações com as perspectivas econômicas, se espalha pelo mundo e provoca um aperto das condições financeiras que poderia minar ainda mais os ativos de risco. O bitcoin caía para abaixo dos US$ 19 mil esta manhã.
O rendimento de 30 anos do Tesouro dos EUA paira em torno do nível mais alto desde 2014, em meio a uma venda de títulos exacerbada por apostas de outro aumento de 0,75 ponto percentual na taxa Fed, um movimento drástico para enfrentar a alta inflação. Entre as commodities, o petróleo bruto se recuperava de um mergulho para o nível mais baixo desde janeiro.
* Em tempo: hoje é feriado no Brasil e os mercados estarão fechados.

🟢 As bolsas ontem: Dow Jones Industrials (-0,55%), S&P 500 (-0,41%), Nasdaq Composite (-0,74%), Stoxx 600 (+0,24%), Ibovespa ( -2,17%)
As bolsas dos Estados Unidos voltaram com perdas após o feriado do Dia do Trabalho. Os investidores continuam a pesar o efeito da política monetária do Fed sobre o crescimento. Os dados econômicos do país continuam a indicar ao banco central um caminho livre para a subida de taxas e ontem mostrou que o setor de serviços se expandiu no ritmo mais rápido em quatro meses em agosto, em meio a uma retomada da atividade comercial e de novas encomendas.
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Na agenda
Esta é a agenda prevista para hoje:
• Feriado: Brasil
• EUA: Pedidos de Hipotecas MBA, Balança Comercial/Jul, Índice Redbook; Livro Bege, Perspectiva Energética de Curto Prazo - EIA, Estoques de Petróleo Bruto - API
• Europa: Zona do Euro (PIB/2T22, Variação no Emprego/2T22); Alemanha (Produção Industrial/Jul); Reino Unido (Índice de Preços de Imóveis Halifax/Ago); Itália (Vendas no Varejo/Jul); Espanha (Confiança do Consumidor)
• Ásia: China (Balança Comercial/Ago, Reservas Cambiais/Ago); Japão (Índice de Indicadores Antecedentes/Jul, Transações Correntes, PIB/2T22); Hong Kong (Reservas Internacionais/Ago)
• América Latina: Argentina (Produção Industrial/Jul)
• Bancos Centrais: Decisão sobre juros do Banco do Canadá. Pronunciamentos de membros do Fed (Thomas Barkin, Loretta Mester, Lael Brainard, Michael Barr), do BCE (Edouard Fernandez-Bollo, Elizabeth McCaul), do BoE (Andrew Bailey, Catherine Mann, Huw Pill e do Bundesbank (Burkhard Balz)
• Outros: Evento da Apple sobre novos iPhones e relógios
📌 Para a semana:
• Quinta: Decisão sobre as taxas do Banco Central Europeu. O presidente do Fed Jerome Powell participa de conferência do Instituto Cato em Washington. O governador Philip Lowe, do Banco Central da Austrália, fala em evento
• Sexta: China (PPI, oferta de moeda, novos empréstimos em yuan). Reunião extraordinária dos ministros de energia da UE sobre intervenção de emergência nos mercados de eletricidade
(Com informações da Bloomberg News)









