Bloomberg Línea — O dólar recuava nesta segunda-feira (29) e os índices acionários caíam ao redor do mundo depois que os formuladores de políticas dos maiores bancos centrais do mundo reafirmaram que seguirão com taxas de juros mais altas, mesmo com as economias sob pressão.
Por aqui, o Ibovespa (IBOV) destoava dos pares no exterior e subia cerca de 0,33% por volta das 11h45 (horário de Brasília), negociado próximo dos 112 mil pontos.
Os mercados globais estão equilibrando os riscos de inflação contra a ameaça de uma desaceleração econômica que pode ser exacerbada por aumentos agressivos dos juros. Alguns investidores estavam se posicionando para um pivô longe do aperto, uma narrativa que foi abandonada pelo presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e outros na reunião dos banqueiros centrais de Jackson Hole, na semana passada.
“Mantemos nossa visão de que o Fed aumentará as taxas em mais 100 pontos base até o final do ano, com riscos de novos aumentos se a inflação não desacelerar”, disse Mark Haefele, diretor de investimentos da UBS Global Wealth Management. “Com as taxas que provavelmente permanecerão mais altas por mais tempo, nosso cenário base é para mais volatilidade, rebaixamento de lucros e taxas de inadimplência acima do esperado ao longo do próximo ano.”
Durante discurso em Jackson Hole, Powell sinalizou a provável necessidade de uma política monetária restritiva por algum tempo para conter a alta inflação e alertou contra o afrouxamento prematuro das condições monetárias. Ele também alertou para potenciais problemas econômicos para famílias e empresas.
Funcionários do BCE leram um roteiro semelhante. O austríaco Robert Holzmann e o colega holandês Klaas Knot lançaram a perspectiva de um aumento sem precedentes de 0,75 ponto percentual em sua reunião em setembro. Já a membro do Conselho Executivo Isabel Schnabel alertou que a probabilidade de as expectativas de inflação se desprenderem é desconfortavelmente alta.
Na agenda doméstica, o relatório Focus, do Banco Central, mostrou uma queda nas expectativas para a inflação neste e no próximo ano. Para 2022, as projeções apontam agora para alta de 6,70% do IPCA (ante 6,82%), enquanto para 2023, a expectativa foi reduzida de 5,33% para 5,30%. Quanto às expectativas para a taxa Selic, estas foram mantidas em 13,75% em dezembro e em 11% ao fim do próximo ano.
Confira o desempenho dos mercados nesta segunda-feira (29):
- Por volta das 11h45 (horário de Brasília), o Ibovespa subia 0,33%, aos 112.662 pontos;
- O dólar à vista recuava 0,15%, a R$ 5,09;
- Entre os contratos de juros futuros, o DI para 2025 subia 9 pontos base, a 12,05%;
- Nos EUA, os índices recuavam: o Dow Jones caía 0,7%, o S&P 500, 0,8%, enquanto o Nasdaq tinha baixa de 0,95%;
- Na Europa, as bolsas também caíam: o índice Dax, da Alemanha, caía cerca de 0,8%, por exemplo.
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