As ações na Ásia parecem preparadas para uma abertura pessimista nesta terça-feira (23), depois que as preocupações com o aperto monetário do Federal Reserve pesaram sobre as bolsas americanas na abertura da semana. Os principais índices em Nova York tiveram a maior queda em dois meses, enquanto os rendimentos dos títulos e o dólar avançaram na segunda (22).
Os futuros caíram no Japão e na Austrália nesta manhã de terça na Ásia, mas os de Hong Kong ficaram estáveis depois que um indicador de ações chinesas listadas nos EUA destoou das quedas no S&P 500 e Nasdaq 100. Os contratos futuros nos dois últimos índices se estabilizaram.
A China cortou no início da semana os custos de empréstimos e planeja empréstimos especiais para desenvolvedores no valor de até 200 bilhões de yuans (cerca de US$ 29,3 bilhões). Esses movimentos para enfrentar uma crise imobiliária podem ser um suporte para o sentimento positivo de investidores no continente e em Hong Kong.
O freio do Fed na economia americana para garantir que a alta inflação continue esfriando continua sendo o principal fator que importa aos mercados globais. Os traders estão se preparando para um debate agressivo no simpósio do banco central dos EUA em Jackson Hole de quinta (25) a sábado (27).
Os vencimentos mais curtos levaram a uma liquidação dos Treasuries na segunda-feira diante desse pano de fundo, elevando o rendimento dos títulos de 10 anos acima de 3%. Os títulos da Austrália e da Nova Zelândia caíram em seu rastro. O dólar estava firme e o euro perto de uma baixa de duas décadas.
Dúvidas estão surgindo sobre as apostas de que o Fed irá moderar o aperto da política monetária, expectativas que ajudaram a elevar o sentimento dos investidores de meados de junho até meados de agosto. Por exemplo, fundos hedge em uma parte importante do mercado de derivativos fizeram apostas recordes de que o banco central dos EUA seguirá um roteiro agressivo.
Os “incentivos do Fed são para comunicar que os aumentos das taxas continuarão sendo a norma para o balanço do ano”, mesmo que eventualmente o ritmo diminua, escreveram em nota Benjamin Jeffery e Ian Lyngen, estrategistas da BMO Capital Markets.
Fundos hedge, equivalentes aos multimercados no Brasil, se posicionaram de forma vendida em conjunto em futuros e devem se beneficiar se o presidente do Fed, Jerome Powell, efetivamente descartar uma virada para um tom dovish em Jackson Hole.
Powell e seus colegas do Fed estão na corda bamba, tentando conter as pressões de preços enquanto buscam evitar uma recessão nos EUA. Ao mesmo tempo, os riscos de crescimento são evidentes em todo o mundo, desde a crise energética da Europa até o setor imobiliário na China e suas ameaças de Covid.
Com a dívida total nos EUA em mais de US$ 30 trilhões, um aumento de 1% nas taxas leva a um aumento “enorme” de mais de US$ 300 bilhões em pagamentos de juros, alertou Tracy Chen, gerente de portfólio da Brandywine Global Investment Management, à Bloomberg Television.
“O quão alto o Fed pode tecnicamente aumentar sua taxa de juros? Uma taxa de fundos federais de 4% a 5% é realista?” ela disse, subjacente ao sério desafio que está por vir.
Em outros mercados, o petróleo ultrapassou os US$ 90 o barril depois que o ministro dePetróleo da Arábia Saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, alertou para o descolamento entre o mercado de futuros e os fundamentos, algo que pode forçar a Opep e seus aliados a agir.
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