Internacional

Pelosi sugere que ira da China com visita é motivada por gênero

Aumento de mulheres na política em Taiwan contrasta com a cena na China, onde nenhuma jamais foi admitida no círculo mais íntimo de poder

Pelosi, de 82 anos, disse que seu encontro com Tsai foi um momento de “orgulho da liderança feminina”, observando que ambas quebraram barreiras em seus respectivos governos
Por Jenni Marsh e Sarah Zheng
03 de Agosto, 2022 | 11:31 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — A presidente da Câmara dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, deu a entender que sua viagem a Taiwan nesta semana atraiu a ira da China não por ela ser a mais alta autoridade dos EUA a visitar a ilha em 25 anos, mas por ser mulher.

Em evento com a presidente Tsai Ing-wen em Taipei na quarta-feira, Pelosi observou que vários senadores americanos, incluindo o presidente do Comitê de Relações Exteriores, o democrata Bob Menéndez, visitaram a ilha autônoma que a China reivindica como seu território este ano sem levantar uma tempestade de críticas de Pequim.

“Eles fizeram um grande barulho porque eu sou a presidente da Câmara, eu acho. Não sei se isso foi uma razão ou uma desculpa”, disse. “Porque eles não falaram nada quando homens vieram.”

O presidente Xi Jinping disse a Joe Biden na semana passada que “quem brincar com fogo vai se queimar”, refererindo-se à questão de Taiwan. Enquanto isso, o Ministério das Relações Exteriores advertiu que o Exército de Libertação Popular não ficaria “à toa” se Pelosi visitasse a ilha.

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Diante disso, Pelosi, de 82 anos, disse que seu encontro com Tsai foi um momento de “orgulho da liderança feminina”, observando que ambas quebraram barreiras em seus respectivos governos.

“É um grande orgulho para nós hoje, a primeira presidente da Câmara americana conhecendo a primeira presidente de Taiwan. Estamos entusiasmadas com isso”, disse Pelosi, que se tornou a primeira presidente da Câmara dos Deputados em 2007. Tsai foi eleita em 2016.

O aumento de mulheres na política em Taiwan contrasta fortemente com o patriarcado arraigado da China, onde nenhuma mulher jamais foi admitida no círculo mais íntimo de poder do Partido Comunista, o Comitê Permanente - com sete homens como membros. Sun Chunlan, de 72 anos, é a única mulher dentre os 25 membros do Politburo do Partido Comunista da China. Ela deve se aposentar este ano.

De sua parte, Tsai não fez referência ao gênero durante as falas públicas desta quarta-feira (3). Em vez disso, ela demonstrou sua gratidão pelo compromisso de longa data de Pelosi em “salvaguardar a liberdade, a democracia e os direitos humanos”.

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A líder taiwanesa já havia se recusado a ser rotulada como “política feminina”. Na Cúpula de Empoderamento Econômico das Mulheres em 2019, ela disse: “não vou parar até que o termo ‘presidente feminina’ seja coisa do passado”, embora reconheça que sua posição lhe conferiu o dever de “pressionar pelo empoderamento das mulheres em seu país e no exterior”.

Independentemente do gênero, Pelosi disse esperar que sua viagem tenha provado que mais pessoas podem visitar a ilha. Pequim regularmente protesta contra as viagens de autoridades estrangeiras a Taipei como uma violação dos acordos diplomáticos para evitar o reconhecimento formal de Taiwan.

“Só espero que esteja realmente claro que, embora a China tenha impedido a participação de Taiwan e a ida a certas reuniões”, disse ela, “que eles entendam que não impedirão as pessoas de virem a Taiwan”.

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