Investidores seguem avessos ao risco em cenário com balanços, inflação e BCs

Risco de que China volte a isolar parte de sua população também afeta o humor do mercado; indicador de expectativas sobre a economia alemã desaba

Conheça os eventos que vão orientar os investidores nesta terça-feira, 5 de julho
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Barcelona, Espanha — (Esta é a atualização da matéria publicada originalmente às 6h36)

A combinação de eventos na semana inspira cautela e diminui entre os investidores a disposição ao risco. As bolsas europeias e os futuros de índices nos Estados Unidos voltam a cair nesta sessão.

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Dentre as notícias desta manhã está o forte recuo das expectativas para o crescimento econômico na Alemanha. O índice de expectativas econômicas de julho ficou negativo em 53,8%, contra -28% em junho, situando-se ligeiramente abaixo do nível durante a pandemia, segundo o instituto ZEW. De fato, este é o nível mais baixo desde 2011, em um momento em que o país enfrenta a perspectiva crescente de uma recessão e o risco de cortes de abastecimento energético pela Rússia.

Ao mesmo tempo, nos mercados financeiros, o dólar e os títulos soberanos se valorizavam, um padrão que destaca o mal-estar generalizado sobre as perspectivas econômicas em meio à alta inflação e a luta da China contra os contágios por Covid.

O indicador Stoxx Europe 600, em baixa pelo segundo dia, era arrastado pelo setor tecnológico e pelos fabricantes de automóveis. Em contrapartida, os serviços públicos subiam com a ajuda da EDF, que saltou após notícias de que o governo francês pagaria um prêmio para assumir o controle da empresa de eletricidade. S&P 500 e Nasdaq 100 voltam a sinalizar a aversão dos investidores ao risco.

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→ Além da chance de que a China volte a isolar parte de sua população, seguindo sua rígida política “covid zero”, estes são os fatores que os investidores estão olhando com lupa:

💸 Voltará a subir? Amanhã sai o índice de inflação ao consumidor dos Estados Unidos, para o qual se espera um novo acréscimo, de 8,8% em junho, contra 8,6% da última leitura. Com isso, os preços renovariam o posto de inflação mais alta em quatro décadas.

🔜 Na antessala do BCE e do Fed. Esta semana vários bancos centrais de economias desenvolvidas arbitram sobre suas taxas de juros: Nova Zelândia, Coreia do Sul e Canadá. Será uma espécie de antessala para as decisões do Banco Central Europeu (BCE), no dia 21, e do Federal Reserve (Fed) na semana seguinte (27).

🏦 Enquanto isso, no Fed... Membros do banco central norte-americano manifestam publicamente posições diametralmente opostas sobre a magnitude de aumento dos juros e os riscos associados a uma política monetária mais agressiva. O presidente do Fed Bank de Atlanta, Raphael Bostic, disse ontem que a economia dos EUA pode lidar com taxas de juros mais altas e renovou seu apoio a outra subida importante este mês.

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Mas a presidente do Fed de Kansas, Esther George, que no mês passado discordou do aumento dos juros em 75 pontos-base, alertou que a pressa em apertar a política pode sair pela culatra.

🤔❓Balanços, eis a questão. As atenção está totalmente voltada aos resultados empresariais do segundo trimestre. Vários fatores levam os operadores a acreditar em uma redução das margens, entre elas a inflação, o impacto da guerra na Ucrânia no abastecimento global e nos preços das matérias-primas, a forte apreciação do dólar e o contexto de mercado em baixa, que enxugou US$ 18 trilhões em ações globais na primeira metade do ano.

→ Leia o Breakfast, uma newsletter da Bloomberg Línea: Medo de recessão? Aqui não

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Um panorama dos mercados
🟢 As bolsas ontem: Dow Jones Industrials (-0,52%), S&P 500 (-1,15%), Nasdaq Composite (-2,26%), Stoxx 600 (-0,50%), Ibovespa (-2,07%)

O mercado acionário começou a semana em baixa, com a atenção voltada ao início da temporada trimestral de balanços e às expectativas em torno da inflação. Em meio a temores de uma recessão global, os investidores querem se certificar se os ganhos corporativos se manterão ou se as empresas começarão a baixar suas expectativas para o resto do ano. Também quer constatar se a inflação nos EUA, que será divulgada na quarta-feira, seguirá sua trajetória ascendente.

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

• EUA: Pesquisa sobre otimismo entre Pequenas Empresas NFIB/Jun, Relatório Mensal da OPEP, Índice Redbook, Perspectiva Energética de Curto Prazo da EIA, Relatório de Estimativas de Oferta e Demanda Agrícola Mundial (WASDE), Estoques de Petróleo Bruto Semanal API

• Europa: Zona do Euro e Alemanha (Pesquisa ZEW de Percepção Econômica)

• Ásia: Japão (Índice de Preços ao Produtor - PPI/Jun)

• América Latina: Brasil (Crescimento do Setor de Serviços/Mai); México (Produção Industrial/Mai)

• Bancos centrais: Nova Zelândia: decisão sobre Taxa de Juros. Pronunciamentos de Joachim Nagel (presidente do Bundesbank), Andrew Bailey (presidente do BoE), Jon Cunliffe (BoE), Sabine Mauderer (Bundesbank) e Thomas Barkin (Fed/FOMC)

• Balanços do dia: PepsiCo, DNB Bank, Grupo Televisa, Chase

📌 Para a semana:

Balanços: JPMorgan, Morgan Stanley, Citigroup, Wells Fargo, PepsiCo, Delta Airlines, TSMC, BlackRock

Quarta-feira: Livro Bege do Fed, IPC dos EUA em junho. Decisão sobre taxas de juros da Coreia do Sul e Nova Zelândia. Balança Comercial da China

Quinta-feira: EUA: PPI, Pedidos de Seguro-Desemprego

Sexta-feira: PIB da China. Ministros das Finanças do G-20 e banqueiros centrais se reúnem em Bali, a partir de sexta-feira. Pronunciamento de Raphael Bostic (Fed de Atlanta)

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(Com informações da Bloomberg News)