Bloomberg — A Shell informou nesta quinta-feira (7) que as margens crescentes da produção de combustível podem ter acrescentado mais de US$ 1 bilhão aos lucros de seus negócios de refino no último trimestre, quando os preços da gasolina bateram recordes em diversos países.
Os dados da gigante de energia com sede em Londres são os primeiros indicadores de quanto dinheiro tem ido para os cofres dessas grandes empresas de commodities em meio ao forte aumento no preço da gasolina – que subiu pela primeira vez acima de US$ 5 o galão nos Estados Unidos. No mercado internacional, o barril do petróleo era negociado próximo dos US$ 100 nesta quinta.
Embora o aumento do custo de energia esteja fortalecendo as grandes petrolíferas depois de anos difíceis para o setor, o reflexo tem sido uma reação política. O presidente dos EUA, Joe Biden, por exemplo, pediu diretamente aos postos de gasolina para reduzirem os preços. Empresas do setor também estão enfrentando impostos inesperados em alguns países.
No Brasil, um plano para reduzir o preços dos combustíveis passou a englobar outras demandas e hoje visa conceder uma série de benefícios às vésperas da eleição. Apelidado de Proposta de Emenda à Constituição (PEC) “Kamikaze”, o texto prevê auxílio-gasolina a taxistas de R$ 200 mensais, uma bolsa-caminhoneiro de R$ 1 mil por mês e uma bolsa-taxista de R$ 200.
O pacote inclui ainda o aumento do Auxílio Brasil (de R$ 400 para R$ 600), além da ampliação do vale-gás a famílias de baixa renda e recursos para subsidiar a gratuidade a idosos nos transportes públicos. A proposta, aprovada nesta quinta em comissão especial da Câmara, segue agora para análise dos deputados no plenário.
No segundo trimestre, a margem de refino indicativa da Shell saltou para US$ 28,04 o barril, ante US$ 10,23 nos três primeiros meses do ano, de acordo com comunicado divulgado nesta quinta. Espera-se que isso tenha um impacto positivo de US$ 800 milhões a US$ 1,2 bilhão nos resultados de sua divisão de produtos ante o período anterior.
Após as notícias, as ações da Shell negociadas na bolsa de Londres fecharam em alta de 3%, a 2.033 libras.
Ainda assim, analistas da RBC Europe consideraram a atualização dos dados como “neutra”, diante de incertezas em torno da “magnitude das saídas de capital de giro”. Em maio, a Shell disse que seria atingida por cerca de US$ 7,4 bilhões nesses movimentos.
Os preços do petróleo subiram 30% este ano, com a guerra na Ucrânia elevando as preocupações com a oferta pela commodity. A Shell espera agora reverter as baixas contábeis anteriores nos valores dos ativos em US$ 3,5 bilhões, para US$ 4,5 bilhões, depois de ter aumentado suas estimativas de preço de longo prazo.
No primeiro trimestre, a empresa teve um prejuízo de US$ 3,9 bilhões após sua saída planejada de empreendimentos na Rússia. E os impactos ainda seguirão: é esperada uma baixa adicional de até US$ 350 milhões com a perda de volumes de GNL do projeto russo Sakhalin-2.
Os resultados de negociação e otimização da extensa unidade integrada de gás da Shell caíram em relação ao trimestre anterior, quando o negócio se beneficiou de oportunidades comerciais “excepcionais”.
De acordo com o comunicado desta quinta, a divisão de soluções de energia e de energia renovável deverá divulgar ganhos ajustados de US$ 400 milhões a US$ 900 milhões no segundo trimestre em meio a um “ambiente de mercado excepcional”.
A Shell não deu uma atualização sobre os próximos passos do seu programa de recompra, destacando que completou US$ 8,5 bilhões em recompras no primeiro semestre do ano. A empresa já havia sinalizado uma aceleração nos retornos, afirmando que as distribuições aos acionistas seriam superiores a 30% do fluxo de caixa operacional.
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