Barcelona, Espanha — A política monetária segue pautando o mercado, que procura pistas sobre até onde os bancos centrais pretendem subir os juros para domar uma elevada e persistente inflação. Ontem, a minuta da reunião de junho do Federal Reserve (Fed) sinalizou uma firme intenção de frear a escalada de preços - mesmo que isso freie a economia. Hoje será a vez do Banco Central Europeu (BCE).
Nos Estados Unidos, os futuros indexados a índices de ações subiam. Entre os títulos, que hoje pedem prêmios mais elevados, a curva de rendimento de dois e dez anos dos bônus do Tesouro norte-americano aumentou em 1 ponto base, embora tenha permanecido invertida pelo terceiro dia.
Na Europa, os fabricantes de automóveis registraram alguns dos maiores ganhos do Stoxx 600, pelo segundo dia em alta.
→ Fatores que movem os mercados
🥷 Tudo para deter a inflação. Os membros do Fed enunciaram, na ata, sua preocupação com o desaquecimento econômico e do mercado laboral. Mas mostraram que são muito maiores os temores de que a inflação se instale em níveis mais altos. Para deter a escalada inflacionária, reconheceram de forma explícita que estão dispostos a aceitar o ônus de se esfriar a economia.
🧐 Até onde vai a alta? Essa é a pergunta do milhão sobre os juros em todos os cantos do globo. Hoje, o foco recai sobre a Europa: o mercado tem como certo que o BCE, este mês, elevará o custo do dinheiro em 0,25 ponto percentual. Mas quer medir os níveis de preocupação do banco central quanto à alta dos preços e ao risco de recessão. Com o euro no seu nível mais baixo em 20 anos e a perspectiva de a Rússia cortar o fornecimento de gás para a Europa, os riscos para a economia são ainda mais prementes. Como o BCE solucionará esta questão no âmbito monetário?
📊 No mundo corporativo. A temporada de balanços do segundo trimestre começa discretamente, mas já reserva alguns destaques. A Samsung Electronics informou um aumento de 21% das receitas do segundo trimestre, melhor do que o previsto pelos analistas. Isso aliviou os receios sobre o impacto de uma menor demanda dos consumidores e do aumento dos custos das matérias-primas no setor de chips. Os resultados da maior empresa da Coreia do Sul, uma das primeiras grandes tecnológicas a apresentar os resultados de um trimestre crucial, deram uma força aos negócios com ações.
⛔ No front político: últimos dias? No Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson planeja renunciar, de acordo com dois funcionários a par do assunto, após uma onda sem precedentes de demissões de seu governo nos últimos dois dias. Caso isso se confirme, ele deve manter suas funções até outubro. Uma declaração é esperada para hoje.
🇬🇧 Falando em Reino Unido (e inflação)… As expectativas de inflação, preços de produção e aumentos salariais entre as empresas britânicas estão saltando, de acordo com uma pesquisa do Banco da Inglaterra (BoE). As empresas questionadas em junho esperavam subir os preços em 6,3% e os salários em 5,1% durante o próximo ano. As expectativas de inflação para daqui a um ano foram de 7,4%, enquanto para o período de três anos a alta ficou em 4%, ainda dobrando a meta.
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🟢 As bolsas ontem: Dow Jones Industrials (+0,23%), S&P 500 (+0,36%), Nasdaq Composite (+0,35%), Stoxx 600 (+1,66%), Ibovespa (+0,43%)
As bolsas de valores dos EUA continuam navegando ao ritmo do Fed e desta vez a ata do banco central lhe deu um novo impulso, depois de estas terem fechado o pior semestre em mais de 50 anos. Os membros do Fed concordaram no mês passado que os juros podem ter que seguir subindo para evitar que se consolide uma maior inflação. Eles se mostraram favoráveis a um aumento das taxas de 50 ou 75 pontos-base na reunião de julho , ainda que “o endurecimento da política monetária possa retardar o ritmo do crescimento econômico por um tempo”, o que o mercado interpretou como um compromisso em controlar os preços altos.
Na agenda
Esta é a agenda prevista para hoje:
• EUA: Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego, Variação de Empregos Privados ADP/Jun, Balança Comercial/Mai, Relatório sobre as Atividades das Refinarias e os Estoques de Petróleo Bruto do EIA
• Europa: Alemanha (Produção Industrial/Mai)
• Ásia: Japão (Indicador Coincidente/Mai, Índice de Indicadores Antecedentes, Gastos Domésticos/Mai)
• América Latina: Brasil (Balanço Orçamentário/Mai); México (Inflação/Jun, Ata do banco central); Chile (Balança Comercial/Jun), Argentina (Produção Industrial/Mai), Peru (Reunião do banco central)
• Bancos centrais: Informe do BCE sobre reunião de política monetária de junho. Pronunciamentos de Christopher Waller e James Bullard (Fed), Philip Lane (BCE), Catherine Mann e Huw Pill (BoE) e Joachim Nagel (presidente do Bundesbank)
📌 Para amanhã:
• Relatório de emprego dos EUA de junho. Discurso da presidente do BCE, Christine Lagarde
(Com informações da Bloomberg News)









