Brasil

Risco de medidas populistas sobe às vésperas de eleição, avalia estrategista

Para Fernando Siqueira, head de Research da Guide, busca por mais votos pode acelerar a escolha de decisões que comprometeriam quadro fiscal

Fernando Siqueira, chefe de Research da Guide Investimentos
01 de Julho, 2022 | 08:31 am
Tempo de leitura: 2 minutos

São Paulo — A pouco mais de três meses do primeiro turno das eleições presidenciais, investidores devem manter a cautela diante do quadro apresentado nas pesquisas de intenção de voto. Essa é a recomendação dada por Fernando Siqueira, chefe da área de Research da Guide Investimentos, em evento em São Paulo nesta quinta-feira (30).

A avaliação do estrategista é que, atrás nas pesquisas, o presidente Jair Bolsonaro pode acelerar a adoção de medidas para tentar ganhar mais votos. Nesse contexto, algumas dessas medidas podem comprometer o quadro fiscal do país.

Nesta última segunda-feira (27), a sondagem BTG/FSB mostrou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liderando com 43% das intenções de voto para as eleições presidenciais em outubro, contra 33% de Bolsonaro.

“O presidente Bolsonaro não conseguiu evoluir, mesmo com a pandemia acabando e a economia avançando. Com isso, vai tentando achar atalhos com cheques, controlar preços de combustíveis, algo muito parecido com governos de esquerda. Vimos que deu errado no passado e parece que vai se repetir”, disse.

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O estrategista também apontou que, mesmo diante desse diagnóstico, em um cenário de vitória de Bolsonaro, a reação do mercado não seria negativa. “É difícil o mercado reagir mal quando um candidato de direita ganha as eleições.”

Segundo Siqueira, no caso do ex-presidente Lula, a impressão é que, pelo menos em um primeiro momento, a política fiscal não seria tão alterada em relação a como é conduzida atualmente.

“São dois candidatos com discurso diferentes, mas que, no fundo, entregariam coisas muito parecidas ao mercado.”

Siqueira apontou que a junção da desaceleração da economia dos EUA e do aumento de juros com o período eleitoral pode ser uma combinação explosiva em termos de medidas populistas.

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“O legado da pandemia foi que, na América Latina, ninguém conseguiu se reeleger, assim como o [ex-presidente Donald] Trump nos EUA. Na Argentina, o governo de direita perdeu. Na Colômbia, historicamente de direita, virou para a esquerda. Os únicos lugares em que tivemos governos de direita recentes foram no Equador e no Uruguai, em que os governos anteriores eram de esquerda. Não é só uma tendência de populismo, mas de governos não serem reeleitos”.

Ele pontuou que nos próximos meses será “bom ter um pouco de cautela” pelo risco do candidato do governo acabar optando por mais gastos caso avalie que as chances de vitória comecem a apertar.

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Ana Siedschlag

Ana Carolina Siedschlag

Editora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero e especializada em finanças e investimentos. Passou pelas redações da Forbes Brasil, Bloomberg Brasil e Investing.com.

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