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Mini-rali faz dólar ceder de R$ 5,16 para R$ 4,73: entenda as razões

Redução de apostas de fundos locais na alta da moeda americana ajudou a baixar a cotação em maio

Gestores de recursos observam que o real mantém os aliados que favoreceram sua valorização recente
Por Felipe Saturnino
02 de Junho, 2022 | 10:28 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Fundos de investimento locais embalaram um mini-rali do real em maio ao reduzirem em US$ 5 bilhões a posição comprada em dólar, o que ajudou a baixar a cotação da moeda americana em R$ 0,40 do pico registrado no início do mês.

Investidores domésticos reduziram de US$ 5,7 bilhões em 11 de maio para US$ 616 milhões em 31 de maio a posição comprada na moeda americana, segundo dados da B3 sobre derivativos cambiais compilados pela Bloomberg.

Trata-se da menor exposição ao dólar desde 13 de abril. Já o dólar cedeu da máxima recente de R$ 5,16, em 9 de maio, para R$ 4,73 na última sessão do mês.

É um movimento bem mais tímido em comparação ao que se viu entre 5 de janeiro e 4 de abril, período no qual a divisa cedeu de R$ 5,71 para R$ 4,59. Mas gestores de recursos observam que o real mantém os aliados que favoreceram sua valorização recente.

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“É bem difícil carregar uma posição comprada em dólar hoje, por causa do tamanho do carry do real”, disse Daniel Tatsumi, gestor de moedas da ACE Capital. “O patamar das commodities, a melhora fiscal e o crescimento do Brasil já são boas histórias para a moeda. O juro alto é a cereja do bolo.”

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Tatsumi pondera que a ACE possui apenas uma posição pequena comprada em real e vem reduzindo a aposta com a melhora recente no câmbio, pois avalia que o espaço de valorização do real é pequeno.

“O nível de preço hoje não é tão apetitoso, se considerarmos que a mínima do dólar foi R$ 4,60”, afirma. Ele diz que, no curtíssimo prazo, um vetor de apreciação do real é a oferta de ações da Eletrobras (ELET3; ELET6), mas que no médio termo a política monetária americana e a economia da China são mais determinantes.

A XP Asset montou uma aposta de valorização do real há duas semanas, quando a divisa estava operando na casa dos R$ 5, mas também ressalta que a posição é de pequeno risco para o fundo.

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“Foi a primeira vez que ficamos comprados em real, porque vimos uma trégua na discussão de juros maiores nos Estados Unidos e de crescimento pior na China”, diz Julio Fernandes, sócio e gestor de fundos multimercados.

“Mas essa é uma posição menos convicta. Estamos com mais convicção em tomar juros internacionais e vender bolsa americana”, afirma o gestor da XP Asset.

Segundo ele, o dólar tem um espaço limitado de queda, até R$ 4,50, e uma possível discussão do Federal Reserve sobre juro restritivo pode atrapalhar novas apreciações do real. “Esse é um risco para a nossa posição, porque esse debate deve chacoalhar as divisas emergentes.”

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