Bloomberg — O Banco Central sinalizou a intenção de interromper o ciclo de alta da Selic de maneira flexível no Copom desta quarta-feira, diz Alexandre Soriano, diretor de pesquisa macro da Bahia Asset.
Segundo ele, o BC já tinha indicado o objetivo de finalizar o aperto monetário na reunião anterior. Mas, não quis deixar algo tão firme e preferiu usar a palavra “provável” no comunicado da decisão que elevou a taxa em 1 ponto percentual, para 12,75%.
A escolha dá um grau de flexibilidade, o que é positivo num momento de enorme incerteza global e doméstica, afirma Soriano.
O mais provável é que BC faça um último aumento de 0,5 pp na reunião de junho, o que levará a taxa básica para 13,25%. “O plano de voo é parar depois dessa.”
Soriano reconhece que há um risco de a Selic ter de subir mais, já que o cenário depende de muitos fatores, como o Fed, a guerra na Ucrânia, as commodities e os surtos de Covid na China. Internamente, há também riscos vindos do cenário eleitoral, com incertezas sobre os planos de governo dos dois principais candidatos.
A Bahia Asset vê a inflação a 8,5% neste ano, com núcleos muito pressionados e índice subjacente de serviços rodando a 9%. O IPCA deve recuar para algo na casa dos 4,5% em 2023, próximo do limite superior da meta de inflação.
Mais do que fazer com que os juros subam para além de junho, diz ele, as incertezas devem manter a Selic em patamar bastante elevado por um bom tempo, com uma pausa mais longa. “Vai demorar para se iniciar um ciclo de corte.”
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