Bloomberg Línea — Em um dia de queda para o petróleo e com os mercados repercutindo projeções mais altistas para a inflação no Brasil, o Ibovespa (IBOV) operava em queda na tarde desta segunda-feira (28).
- O movimento segue o visto no exterior, com queda das bolsas dos Estados Unidos em meio às preocupações de que a alta dos preços possa freiar o crescimento da atividade econômica.
Por aqui, o relatório Focus, do Banco Central, mostrou uma nova elevação nas estimativas para o IPCA este ano, pela 11ª semana consecutiva, desta vez, de 6,59% para 6,86%. As projeções para a inflação em 2023 também subiram, pela terceira semana, de 3,75% para 3,80%.
Em meio à forte pressão inflacionária, o mercado financeiro já estima uma taxa de juros de 13% ao ano em dezembro, em linha com o projetado na semana passada.
As atenções seguem voltadas para o presidente do BC, Roberto Campos Neto, à espera de sinalizações sobre os próximos passos da política monetária e sobre o fim do ciclo de alta da Selic.
Na Bolsa brasileira, a sessão de baixa para commodities contribuía para a queda de Petrorio (PRIO3), 3R Petroleum (RRRP3) e Petrobras (PETR3; PETR4), que caíam 3,09%, 1,93%, 2,31% (ON) e 1,89% (PN), respectivamente, por volta das 15h40 (horário de Brasília).
- O petróleo caía mais de 6% nesta tarde, com o WTI negociado por volta dos US$ 107 o barril e o tipo Brent, próximo dos US$ 113,60. A queda acontecia em meio ao aumento no número de casos de covid na China, aumentando a preocupação com a demanda no maior importador de petróleo do mundo.
Do lado dos ganhos, as maiores altas do Ibovespa partiam das ações de Marfrig (MRFG3), Minerva (BEEF3) e BRF (BRFS3). Os papéis subiam, respectivamente, 4,07%, 3,15% e 2,35%, em dia de assembleia da BRF.
Confira o desempenho dos mercados nesta segunda-feira (28):
- O Ibovespa recuava 0,58%, aos 118.392 pontos;
- Após oito dias seguidos em queda, o dólar subia nesta tarde. A divisa avançava 0,84%, negociada aos R$ 4,7780
- Entre os juros futuros, o DI com prazo em 2025 recuava nove pontos-base, a 11,34%;
- O Bitcoin (BTC) subia 6,41%, aos US$ 47.627;
Cenário externo
No âmbito internacional, as bolsas operavam mistas nesta segunda. Nos EUA, as ações recuavam à medida que os investidores pesavam os riscos para a recuperação econômica da inflação e o aperto da política monetária.
As ações permaneceram sensíveis às manchetes sobre a guerra na Ucrânia, caindo após um relatório de que vários negociadores de paz sofreram sintomas de suspeita de envenenamento após uma reunião em Kiev no início deste mês.
Um número crescente de gestores de patrimônio tem apostado que os índices de ações já precificaram em grande parte os movimentos de baixa dos títulos, enquanto estrategistas de ações do Goldman Sachs ao JPMorgan asseguram aos investidores que ainda não há necessidade de se preocupar com a curva de rendimento do Tesouro dos EUA.
Ainda assim, a guerra na Ucrânia continua a interromper o fornecimento de commodities-chave, alimentando os riscos de inflação e as expectativas de um aperto mais agressivo do Federal Reserve.
- Nos EUA, o Dow Jones cedia 0,39%, o S&P subia 0,06%, enquanto o índice da Nasdaq avançava 0,45%;
- Na Europa, o movimento também era misto: o Dax, da Alemanha, subia 0,78%, enquanto o FTSE, do Reino Unido, recuava 0,14%;
(Com informações da Bloomberg News)
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