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Mercados

5 metais que ficam mais caros no mundo por conta da guerra na Ucrânia

Oferta limitada dos metais no mundo impacta desde setores ligados à tecnologia, como também os de embalagens, automóveis e medicina

Preço das commodities sobe em meio aos problemas de abastecimento com a guerra na Ucrânia e as sanções contra a Rússia
09 de Março, 2022 | 02:57 pm
Tempo de leitura: 6 minutos

Bloomberg Línea — A guerra na Ucrânia e as sanções contra a Rússia têm repercutido no mundo todo e elevado o preço das commodities em meio às preocupações com os baixos estoques e falta de abastecimento.

A última medida dos Estados Unidos, de proibir o petróleo russo, e do Reino Unido, de eliminar gradualmente as importações de petróleo da Rússia até o fim do ano, alimentou mais temores de estagflação, com os preços em alta enquanto o crescimento econômico vacila. Mas não é só o petróleo que tem sido impactado, com respingos sobre a oferta de diversas matérias-primas, como milho, trigo, além dos metais.

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Essenciais para a produção de automóveis, aeronaves, produtos de tecnologia e até medicina, diversos metais, como níquel, paládio e ouro têm visto forte alta em suas cotações, diante de um contexto de estoques já deprimidos e com expectativa de nova redução na oferta.

A Bloomberg Línea listou os principais metais que ficam mais caros no mundo em meio à guerra na Ucrânia, e quais os setores da economia que podem ser impactados pelos preços mais elevados. Confira:

Alumínio

Entre os metais industriais “mais expostos” às sanções contra a Rússia está o alumínio, que atingiu seu recorde histórico, com os futuros sendo negociados na casa dos US$ 3,6 mil a tonelada. Isso porque o grupo russo Rusal é o segundo maior produtor industrial de alumínio do mundo.

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Em relatório divulgado na quinta-feira (3), o banco suíço UBS destacou que a Rússia produz cerca de 6% da oferta global de alumínio. “Embora as principais fundições de alumínio da Rusal estejam sediadas na Sibéria, sua cadeia de suprimentos global é complexa e as possíveis restrições ao comércio com a Rusal ou ao transporte de alumina/bauxita têm o potencial de interromper materialmente os fluxos comerciais no curto prazo, impactando mais oferta do que apenas a da Rusal”, escreve.

De acordo com o time de análise do banco, se a Rússia interromper o fornecimento de alumínio, como foi feito, na sexta, com os fertilizantes, pode ocorrer uma redução de 1,5 milhão a 2 milhões de toneladas na produção russa do alumínio.

Para os analistas, o impacto não seria imediato por conta do estoque de pelo menos dois meses, mas, se esse período for superado, as consequências “poderão ser drásticas”. Isso porque o problema pode ser ampliado para diversos setores da indústria que dependem do alumínio, como o de embalagens, que usa o metal devido à sua leveza, resistência à corrosão e alta condutividade térmica.

Ainda na avaliação do UBS, embora muitas variáveis permaneçam incertas, a demanda mais fraca devido à alta inflação, a destruição da demanda induzida pelos preços e o aumento da produção/exportações chinesas sugerem que um preço acima de US$ 3,5 mil por tonelada não é sustentável no médio prazo.

“Mas esperamos que fundamentos robustos sustentem preços mais altos e melhores margens para os produtores de alumínio nos próximos anos”, escrevem os analistas.

Níquel

O níquel, metal usado principalmente para fazer aço inoxidável, tem tido dias de glória nos mercados, atingindo seu preço mais alto em uma década, com os contratos futuros negociados na casa dos US$ 1.980.

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Isso porque os temores sobre a oferta russa deixaram os compradores expostos a um aperto histórico – que já vinha mostrando baixos estoques em meio à revolução dos veículos elétricos –, com o níquel se tornando um ingrediente-chave nas baterias recarregáveis.

Esse aumento sem precedentes nos preços do metal, impulsionado pela guerra na Ucrânia, está transformando um portfólio de minas antes decadente em ativos valiosos, como é o caso da mineradora canadense de níquel Inco Ltd., comprada pela Vale (VALE3) em 2006.

Apesar de analistas defenderem que o breve pico do níquel acima de US$ 100 mil a tonelada métrica na London Metal Exchange possa não ser sustentável, a Vale, como segunda produtora mundial, se beneficia das preocupações com o fornecimento da russa MMC Norilsk Nickel PJSC, a maior produtora.

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De acordo com o analista do Itaú BBA, Daniel Sasson, cada mudança de US$ 10 mil no preço do níquel se traduz em US$ 1,8 bilhão no lucro da Vale antes de itens. Isso aumenta os ativos que a Vale já estava considerando desmembrar em uma tentativa de desbloquear o potencial de valor que a empresa calculou no mês passado em US$ 40 bilhões.

Veja mais: Guerra na Ucrânia eleva demanda e preços de exportação do frango

Ouro

Considerado um “porto seguro” em momentos de grande incerteza, como o atual, o metal dourado tende a se valorizar, com investidores em busca de ativos de segurança para proteger suas carteira de investimentos.

A procura por “hedge” (proteção), que já vinha acontecendo, por conta da forte alta dos preços em nível global, é intensificada diante das preocupações de que as consequências da invasão da Ucrânia pela Rússia vão alimentar ainda mais a inflação e prejudicar as economias. No ano, o metal sobe mais de 10%.

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As participações em fundos negociados em bolsa lastreados em ouro atingiram o nível mais alto desde março de 2021, com entradas de cerca de 152 toneladas este ano, de acordo com dados iniciais compilados pela Bloomberg News.

Paládio

Metal pouco conhecido, mas cada vez mais fundamental para a indústria automotiva, o paládio viu seu valor saltar 40% nos primeiros dois meses deste ano.

Usado para produção de automóveis, em conversores catalíticos, bem como na indústria de semicondutores, o paládio também é usado na medicina e na ciência, dado que é amplamente utilizado para restaurar coroas dentárias, fazer experimentos in vitro com células de mamíferos e fabricar instrumentos cirúrgicos e tiras de teste de glicemia.

Há usos para o metal ainda como moeda – é um dos metais preciosos mais valiosos juntamente com o ouro –, bem como, na indústria de energias renováveis.

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A forte alta nas cotações está ligada ao fato de que a produção de paládio está altamente concentrada em pouquíssimos países, e estima-se que a Rússia represente entre 40% e 50% da oferta desse material em escala global. Em seguida, aparecem a África do Sul, o Canadá e os Estados Unidos.

Neste cenário, a expectativa é de que as sanções contra a Rússia, que limitam seu comércio exterior, afetem a oferta do produto.

Titânio

Metal muito procurado pelos fabricantes de aeronaves por sua leveza e alta resistência, o titânio também é afetado indiretamente pela guerra.

Durante call com investidores, Olivier Andries, diretor-geral da fabricante francesa de motores Safran, disse que a empresa russa VSMPO-Avisma é o principal fornecedor mundial da aeronáutica, o que pode impactar o setor. A Safran, contudo, defende ter “vários meses de antecedência em termos de estoque de titânio para trens de pouso e motores”.

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Em comunicado ao mercado divulgado nesta quarta-feira (9), a Embraer (EMBR3) afirmou que já começou a procurar fontes alternativas de fornecimento de titânio, matéria-prima de suas aeronaves, temendo um cenário de escassez a longo prazo, após vencimento de contratos, devido aos efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia.

No curto prazo, contudo, a companhia também diz ter “forte posição de seus estoques”, por conta da existência de contratos de fornecimento desse material com empresas em outros países.

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Mariana d'Ávila

Mariana d'Ávila

Redatora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero, especializada em investimentos e finanças pessoais e com passagem pela redação do InfoMoney.

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