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Negócios

Vale: Após 16 anos, aposta de níquel da mineradora parece vencedora

Após poucos anos de alta do metal, preços caíram e a incursão no níquel rapidamente se tornou um problema para a mineradora brasileira

Meta teve forte alta nos preços após guerra
Por Mariana Durão e James Attwood
08 de Março, 2022 | 08:05 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Um aumento sem precedentes nos preços do níquel, impulsionado pela guerra na Ucrânia, está transformando um portfólio de minas antes decadente em ativos valiosos.

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Nos dias inebriantes do superciclo de commodities dos anos 2000, a gigante brasileira de minério de ferro Vale SA (VALE3) fez uma aposta de US$ 17 bilhões em um metal usado principalmente para fazer aço inoxidável. A compra da mineradora canadense de níquel Inco Ltd., anunciada em 2006, fazia parte do objetivo do então CEO Roger Agnelli de transformar a Vale em um peso pesado global diversificado em um momento de demanda chinesa aparentemente insaciável por matérias-primas.

À medida que a alta do níquel se mostrou acertada no início de 2007, a oferta agressiva de Agnelli aos rivais pelos amplos depósitos da Inco no Canadá, Brasil, Indonésia e Nova Caledônia parecia um golpe de gênio. Mas então os preços caíram e a incursão no níquel rapidamente se tornou uma faca no pescoço da Vale.

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“Foi um sonho de uma noite de verão”, disse José Carlos Martins, ex-executivo sênior da Vale, em entrevista na terça-feira. “Os preços recuaram e ficaram mais próximos do custo de produção por anos.”

Mas a sorte do níquel começou a mudar quando se tornou um ingrediente-chave nas baterias recarregáveis. Com a revolução dos veículos elétricos ganhando força, o mercado de níquel para baterias começou a apertar, aumentando o valor dos depósitos arrematados no acordo com a Inco. Então, a invasão da Ucrânia viu os preços do níquel dispararem, já que os temores sobre a oferta russa deixaram os compradores expostos a um aperto histórico.

Recorde histórico

O breve pico do níquel acima de US$ 100 mil a tonelada métrica na London Metal Exchange pode não ser sustentável. Mas, como segunda produtora mundial, a Vale se beneficia das preocupações com o fornecimento da russa MMC Norilsk Nickel PJSC, a maior produtora.

De acordo com o analista do Itaú BBA, Daniel Sasson, cada mudança de US$ 10 mil no preço do níquel se traduz em US$ 1,8 bilhão no lucro da Vale antes de itens. Isso aumenta os ativos que a Vale já estava considerando desmembrar em uma tentativa de desbloquear o potencial de valor que a empresa calculou no mês passado em US$ 40 bilhões.

A decolagem vertiginosa do níquel nesta semana é um sinal para a Vale finalmente avançar no spinoff de metais básicos, de acordo com Martins, agora sócio-gerente da Neelix Consulting Mining & Metals. “É hora de fazer uma jogada ousada no níquel.”

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A turbulência do mercado de níquel da semana passada pode ajudar a Vale a divulgar os pontos fortes de seu portfólio de metais básicos, que está se recuperando de uma série de reveses operacionais no Canadá e no Brasil. Preços mais altos também podem acelerar uma nova joint venture na Indonésia.

A Vale pode “fazer mágica acontecer” em metais básicos, disse Deshnee Naidoo, o novo chefe de metais básicos da empresa, em uma teleconferência de resultados em 25 de fevereiro. “Temos os ativos certos e uma base de recursos inigualáveis em jurisdições com conhecimento técnico para desbloquear uma cadeia de valor para atender a esse crescimento da demanda.”

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