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Brasil

Bolsonaro diz que Brasil será neutro e que não há massacre na Ucrânia

Presidente diz que conversou com Putin por telefone e expressou dúvidas sobre exclusão da Rússia do sistema bancário: “Se a Alemanha não pagar o gás, não vai ter gás”.

Bolsonaro em entrevista coletiva no Guarujá
27 de Fevereiro, 2022 | 08:05 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Em uma entrevista coletiva no início da noite deste domingo (27), o presidente Jair Bolsonaro disse que a posição do Brasil no Conselho de Segurança da ONU, onde ocupa uma cadeira temporária, será de neutralidade. Bolsonaro, que disse ter falado com Putin “por duas horas” por telefone, disse que não existe massacre de civis na Ucrânia.

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“No meu entender, nós não vamos tomar partido. Nós vamos continuar pela neutralidade e ajudar, no que foi possível, a busca pela solução”, disse Bolsonaro, em uma base militar no Guarujá (litoral de SP), onde passa o Carnaval.

O presidente disse que o voto brasileiro só será definido quando a proposta de resolução for fechada, o que deve ocorrer na terça-feira. Bolsonaro não quis revelar o teor da conversa com Putin por telefone: “Foi reservado”.

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Bolsonaro não quis se comprometer com nenhum tipo de sanção ou condenação à invasão do território ucraniano pelas forças russas. Ele disse que, para o Brasil, “a questão do fertilizante é sagrada”. Hoje o país importa 85% dos fertilizantes que a agricultura utiliza, metade deste volume vem da Rússia (30%) e de Belarus (20%), uma ditadura aliada de Moscou no Leste Europeu.

Segundo Bolsonaro, cada país irá decidir como vai lidar com as sanções e citou que a Alemanha, por exemplo, é dependente de gás russo e não vai aceitar sanções no insumo. O presidente minimizou a derrubada do acesso dos bancos russos ao sistema Swift, de informações de fluxos internacionais de capitais, a que chamou de “natimorta”.

“Como a Alemanha vai pagar o seu gás? Ela não vai pagar, não vai ter gás. Então é essa proposta aí é natimorta. A experiência que eu tenho, que é de 15 anos só de Exército, estudando história militar. Desculpe o português, mas não adianta você ter um milhão em razão e do outro lado ter um canhão”, afirmou o presidente.

O presidente voltou a rebater críticos de que sua visita a Moscou ocorreu em momento inoportuno: “O convite foi feito em novembro”. Segundo ele, na viagem ficou acertado que empresários russos assumiriam o controle de uma planta de fertilizantes da Petrobras em Três Lagoas (MS), que nunca entrou em operação.

“PRATICAMENTE IRMÃOS”: Bolsonaro chamou a Rússia e a Ucrânia de “praticamente irmãos” e disse que “não há massacre de civis”, quando uma repórter da TV Globo insistiu na pergunta sobre a neutralidade quando o resto do mundo ocidental pendia para as sanções.

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“Grande parte da população da Ucrânia fala russo. São Estados praticamente, países irmãos, o massacre de civis há muito tempo não se ouve falar nenhum país do mundo fazer isso, ainda mais com o mundo conectado com redes sociais”, respondeu.

Quando a jornalista insistiu na questão, o presidente devolveu: “Você quer que eu faça o quê para acabar com a guerra? Tudo que posso fazer, eu já fiz e continuo fazendo”.

A disparidade de capacidade militar entre invasor e invadido fez o presidente expressar esperança que as conversações entre russos e ucranianos resultem na paz: “Parece que não é [uma questão] tão complexa: olha o poderio das duas forças. Acredito que se chegue a uma solução”.

BRASILEIROS: Bolsonaro disse que a FAB (Força Aérea Brasileira) tem dois aviões KC-390 de prontidão para repatriar brasileiros que ainda estão no país. No começo da guerra, havia 500 brasileiros na Ucrânia, muitos deles já deixaram o país. Segundo Bolsonaro, Itamaraty monitora a situação, mas não há um prazo para concluir a retirada de todos cidadãos.

Graciliano Rocha

Graciliano Rocha

Editor da Bloomberg Línea no Brasil. Jornalista formado pela UFMS. Foi correspondente internacional (2012-2015), cobriu Operação Lava Jato e foi um dos vencedores do Prêmio Petrobras de Jornalismo em 2018. É autor do livro "Irmã Dulce, a Santa dos Pobres" (Planeta), que figurou nas principais listas de best-sellers em 2019.