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Bancos europeus financiaram US$ 55 bi em projetos poluentes em 2021

Iniciativas de preservação ambiental exigem que acionistas pressionem por mais restrições para projetos de petróleo e gás

HSBC foi o banco europeu que mais investiu em projetos de exploração de óleo e gás
Por Tasneem Hanfi Brögger e Alastair Marsh
17 de Fevereiro, 2022 | 10:52 am
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — Os maiores credores da Europa enfrentam outra rodada constrangedora de assembleias de acionistas depois de entregar US$ 55 bilhões em financiamento para empresas que expandiram suas operações de petróleo e gás no ano passado, apesar das promessas generalizadas de reduzir esse financiamento.

A ShareAction – organização sem fins lucrativos com sede em Londres conhecida por promover resoluções sobre mudanças climáticas no HSBC Holdings (H1SB34) e no Barclays (B1CS34) – está pedindo a acionistas que exijam que os bancos suspendam todos os investimentos na produção de combustíveis fósseis, segundo comunicado na segunda-feira (14). A organização cita a Agência Internacional de Energia, que alertou que não há espaço para esses investimentos se o planeta quiser limitar o aquecimento ao limite crítico de 1,5°C.

“No ano passado, os acionistas foram fundamentais para pressionar os bancos a adotar ou fortalecer as restrições ao financiamento do carvão”, disse Kelly Shields, diretora sênior de padrões bancários da ShareAction, no comunicado. “Este ano, é necessário replicar esse sucesso com a expansão dos projetos de petróleo e gás ao votar a favor de deliberações de acionistas e contra a opinião inadequada sobre os planos climáticos”.

Os 25 maiores bancos da Europa – todos os quais se comprometeram a eliminar suas emissões líquidas financiadas até meados do século – injetaram US$ 55 bilhões em novos projetos de petróleo e gás em 2021, segundo a ShareAction e dados compilados pela Bloomberg. Embora o número represente uma queda dos US$ 106 bilhões em 2020, está em linha com as médias pré-pandemia, mostrando o ritmo lento das mudanças à medida que o setor procura se afastar do financiamento de projetos prejudiciais ao meio ambiente.

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O maior financiador de combustíveis fósseis da Europa em 2021 foi o HSBC, que injetou US$ 8,7 bilhões na expansão de petróleo e gás em empresas como ExxonMobil (XOM) e Saudi Aramco, mostram os dados.

Antes da assembleia geral ordinária de 2021 do HSBC, os acionistas – coordenados pela ShareAction – apresentaram uma deliberação pedindo ao banco que reduzisse o apoio ao setor de combustíveis fósseis. A ShareAction e os investidores por fim concordaram em retirar o pedido depois que o banco com sede em Londres estabeleceu novos compromissos para alinhar seus empréstimos com os objetivos do acordo de Paris e reduzir seu apoio ao carvão.

“Estamos comprometidos em trabalhar com nossos clientes para alcançar uma transição para uma próspera economia de baixo carbono”, disse um porta-voz do HSBC. “Publicamos nossa política de eliminação gradual do carvão térmico em dezembro e publicaremos metas baseadas na ciência para alinhar o financiamento para os setores de petróleo e gás e energia e serviços públicos às metas e aos cronogramas do Acordo de Paris em nosso Relatório e Contas Anuais em 22 de fevereiro de 2022″.

Outros grandes financiadores do setor de petróleo e gás no ano passado incluem o Barclays e o BNP Paribas (BNP), segundo os dados.

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“Continuamos focados em nossa ambição de nos tornarmos um banco de emissões zero até 2050″, disse um porta-voz do Barclays. “Como parte desse compromisso, estabelecemos uma meta de redução absoluta de 15% em nossas emissões financiadas provenientes da energia, incluindo carvão, petróleo e gás, até 2025. Também temos restrições quanto ao financiamento direto de novos projetos de exploração de petróleo e gás no Ártico ou financiamento para empresas envolvidas principalmente na exploração e produção de petróleo e gás na região”.

O BNP Paribas disse em comunicado que os dados da ShareAction mostram “uma redução significativa do apoio do BNP Paribas às empresas de petróleo e gás em 2021 em relação a 2019″, e o credor francês está prestes a implementar um compromisso de maio de 2021 “para reduzir em 10% (em relação a 2020) o valor da exposição de crédito às atividades de exploração e produção de petróleo e gás até 2025″.

Poucos no caminho certo

O relatório também observou que cinco dos bancos analisados, incluindo o NatWest Group (N1WG34), o Commerzbank (CBK) e La Banque Postale, começaram a restringir o financiamento de projetos de petróleo e gás.

“Este é o momento para os bancos acatarem a ciência e anunciarem uma moratória baseada na ciência ao financiar novos projetos de combustíveis fósseis”, disse Mark Campanale, fundador e presidente executivo da Carbon Tracker, em comunicado.

Bancos, investidores e seguradoras que representam um total de US$ 130 trilhões em ativos se comprometeram no ano passado a zerar suas emissões até 2050. Contudo, os críticos alertam que atualmente há poucos mecanismos para garantir que os signatários cumpram suas promessas. Isso pode mudar em breve, pois a iniciativa Science Based Targets sinalizou recentemente que não certificará bancos que não possuem planos confiáveis de emissões zero.

--Este texto foi traduzido por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.

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