Bloomberg — Um tratado continental de livre comércio pode ajudar a impulsionar o crescimento econômico e reduzir a desigualdade na África em um momento em que a variante ômicron da Covid-19 ameaça a atividade.
Os negócios sob a Zona de Comércio Livre Continental Africana, que entrou em vigor em 1º de janeiro, podem aliviar a contração econômica provocada pela pandemia do coronavírus e “estimular o crescimento sustentável e inclusivo no continente se forem implementadas medidas de apoio mais fortes voltadas para mulheres, jovens e pequenas empresas”, afirmou um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU).
Essas medidas devem incluir iniciativas dirigidas contra a desigualdade, como a contratação de grupos marginalizados e apoio maior a setores nos quais as reformas comerciais teriam o maior potencial de inclusão, recomendou a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, na sigla em inglês).
“O crescimento inclusivo é fundamental para a África” porque a pobreza e a desigualdade são muito altas, disse Junior Davis, chefe de pesquisa na divisão da UNCTAD voltada para a África e os países menos desenvolvidos, em entrevista.
Menos da metade dos países africanos registrou crescimento inclusivo nos últimos 20 anos e 34% das famílias no continente sobrevivem com menos de US$ 1,90 por dia, segundo a agência.
O avanço da igualdade de gênero poderia adicionar 10%, ou US$ 316 bilhões, ao PIB do continente até 2025.
Praticamente todos os 55 países reconhecidos pela União Africana assinaram acordo de adesão ao tratado (conhecido pela sigla em inglês AfCFTA) e mais de dois terços ratificaram o documento. A única exceção é a Eritreia, onde a economia é bastante fechada.
Choques econômicos
O bloco tem um mercado potencial de 1,3 bilhão de pessoas e PIB somado de US$ 3,4 trilhões. Quando se tornar totalmente operacional em 2030, esta poderia ser a maior zona de livre comércio do mundo por extensão territorial.
“Se houver aproveitamento adequado e o potencial do AfCFTA se concretizar, será possível construir maior resiliência ao impacto de choques econômicos e aprofundar a cooperação no comércio regional”, disse Davis.
O pacto de livre comércio pode impulsionar as exportações intra-africanas para 43% do total (vindo de 14,4% atualmente) e um potencial de exportação adicional de US$ 9,2 bilhões pode ser destravado pela liberalização tarifária nos próximos cinco anos, concluiu o estudo.
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