Fundo macro da Autonomy derrete com apostas erradas no Brasil e na Argentina

Estratégias com foco na América Latina do fundo macro global da empresa estão por trás da queda de 28% acumulada até outubro, incluindo perdas de 7% no mês passado

Ativos da Autonomy têm forte queda com aposta no Brasil
Por Nishant Kumar e Donal Griffin
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Bloomberg — Apostas na Argentina e no Brasil colocaram o principal fundo da Autonomy Capital Research no caminho para seu pior ano desde a crise financeira. Os ativos da empresa encolheram cerca de US$ 5 bilhões em relação ao pico de meados de 2019.

Estratégias com foco na América Latina do fundo macro global da empresa estão por trás da queda de 28% acumulada até outubro, incluindo perdas de 7% no mês passado, de acordo com documentos obtidos pela Bloomberg e pessoas a par do assunto. Os ativos administrados pela empresa com sede em Londres caíram de US$ 6,3 bilhões há dois anos para cerca de US$ 1,5 bilhão, disse uma das pessoas.

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Os problemas da Autonomy ecoam os de outros fundos macro, que apostam em tendências econômicas amplas. Alguns dos maiores players do setor enfrentam dificuldade para prever o rumo da economia global, ainda abalada pelo coronavírus.

O fundo da Rokos Asset Management mostra queda de 20% enquanto na Alphadyne Asset Management a baixa acumulada é 17% este ano, segundo a Bloomberg. E Balyasny Asset Management, BlueCrest Capital Management e ExodusPoint Capital Management tiveram que limitar as apostas de alguns operadores, já que os rendimentos dos títulos mundiais contrariaram as expectativas.

Mas a erosão dos ativos da Autonomy, fundada por Robert Gibbins em 2003, é particularmente extrema.

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“Nosso desempenho não está onde gostaríamos”, disse o CEO da Autonomy, Ivan Ritossa, em carta aos investidores no mês passado. “Embora estejamos muito decepcionados com o desempenho do fundo, estamos otimistas quanto às oportunidades no portfólio e comprometidos em gerar fortes retornos ajustados ao risco ao longo do tempo.”

Ritossa acrescentou na carta que a Autonomy reduziu o risco em algumas áreas. Fanni Bodri, porta-voz externa do hedge fund, não quis comentar.

  


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No mercado brasileiro, os rendimentos da dívida soberana atingiram o nível mais alto em anos, enquanto o dólar disparou em relação ao real em meio ao crescente ceticismo de investidores de que o governo conseguirá controlar a inflação. Ao mesmo tempo, o plano do presidente Jair Bolsonaro de aumentar os gastos públicos provocou a saída de peças-chave da equipe econômica.

“Nossos erros foram em não avaliar a extensão da surpreendente inflação no Brasil e em outros países emergentes, e em não compreender a violência da função de reação dos bancos centrais, antecipando a necessidade de restaurar sua credibilidade”, disse Gibbins na carta aos investidores. “Ambos os erros custaram caro.”

  

Na Argentina, entretanto, a economia foi afetada sob a liderança do presidente, Alberto Fernández, e da vice, Cristina Kirchner. A eleição da chapa em outubro de 2019 surpreendeu Gibbins, que esperava a reeleição de um candidato mais favorável ao mercado.

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A Autonomy gerou retornos de dois dígitos a cada ano até a crise financeira de 2008, quando teve perdas de mais de 40%, o que levou a empresa a interromper as retiradas de investidores. No total, a Autonomy gerou retorno anual de quase 9% desde o lançamento, disse uma pessoa a par do assunto.

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