Rússia eleva juros pela 5ª vez e sinaliza mais aperto para conter inflação

Economistas da Bloomberg Economics avaliam decisão como hawkish e estimam que um aumento semelhante pode ocorrer em outubro

Banco da Rússia aumentou as taxas em 250 pontos-base este ano
Por Anya Andrianova
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Bloomberg — O Banco da Rússia fez um aumento menor do que o esperado em sua taxa básica de juros e deixou espaço para mais apertos após a inflação ter atingido o maior patamar em cinco anos no mês passado.

A taxa de referência foi elevada em 25 pontos-base, chegando a 6,75% na sexta-feira (10) – um aumento menor do que a projeção da maioria dos 44 economistas pesquisados pela Bloomberg. O Banco da Rússia declarou que outros aumentos são possíveis.

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“Considerando as expectativas de alta na inflação, o balanço de riscos da inflação pende para o aumento”, disse o banco central em seu comunicado. “O Banco da Rússia mantém em aberto a perspectiva de novos aumentos das taxas básicas em suas próximas reuniões”.

A presidente do Banco da Rússia, Elvira Nabiullina, aumentou as taxas 250 pontos-base no total neste ano, em um esforço para conter a inflação, que está bem acima de sua meta de 4%. O fato de o aumento de sexta-feira (10) ter sido menor do que o previsto pode ser uma resposta aos dados econômicos de agosto, que sugerem que a recuperação econômica da Rússia está oscilando.

A mensagem geral ainda é “relativamente hawkish”, disse Piotr Matys, analista de câmbio sênior da InTouch Capital Markets Ltd.. “A magnitude da decisão implica que o banco central talvez faça mais um aumento nas taxas antes de chegar ao fim de seu ciclo de aumentos, depois de agir de forma decisiva para controlar a inflação.”

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Veja mais: Inflação ao produtor nos EUA avança em agosto com alta dos fretes e commodities

As eleições parlamentares da próxima semana complicam a situação, com a promessa do presidente Vladimir Putin de quase 700 bilhões de rublos (US$ 9,6 bilhões) em novos gastos sociais, aumentando possíveis pressões sobre os preços.

O que dizem nossos economistas

“O aumento cauteloso das taxas veio com um sinal hawkish. O banco central parece disposto a ir mais longe, o que configura outro movimento semelhante em outubro”.

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--Scott Johnson, Bloomberg Economics

As taxas dos títulos de dez anos apagaram o recuo após a decisão, deixando o rendimento inalterado em 7,02%. O rublo manteve seu avanço, sendo negociado com alta de 0,3% em relação ao dólar, encaminhado para um terceiro dia de ganhos, à medida que os preços do petróleo aumentaram e a maioria das moedas de mercados emergentes também se valorizaram. Os negócios com taxas futuras mostram as menores apostas para aumentos dos juros nos próximos meses, e os contratos apontam para um aperto de mais 17 pontos-base nos próximos três meses.

A inflação deve acelerar ainda mais e atingir o pico de 6,9% em setembro, antes de desacelerar para cerca de 6% no final do ano, segundo o analista do Goldman Sachs Group Inc. Clemens Grafe.

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