São Paulo — A ação da Vale, que tem o maior peso no mercado acionário brasileiro, cravou, nesta quinta-feira (9), uma nova cotação mínima no período de 30 dias, marcando um novo momento do papel no pregão da B3. A mínima do dia foi de R$ 93,17, uma queda de 1,96%.
O movimento vem após a companhia anunciar um corte na previsão de investimentos (Capex) para 2021, de US$ 5,8 bilhões para US$ 5,4 bilhões, e ainda sinalizar que as novas projeções podem sofrer novas alterações. Além disso, a mineradora informou que os desembolsos de caixa com o desastre de Brumadinho (MG), em 2019, devem ficar entre US$ 2,7 bilhões e US$ 3,2 bilhões.
Os novos dados deixam o papel mais próximo da marca psicológica dos R$ 90, uma situação bem diferente da observada no primeiro semestre. Em março, analistas do mercado começaram a recomendar a compra da ação citando que a mineradora se beneficiaria de um ciclo positivo para os preços das commodities. Esse cenário se confirmou, e o papel alcançou, em maio, uma cotação máxima de R$ 118,11, mais que o dobro do seu menor preço em 12 meses (R$ 55), no primeiro ano da pandemia.
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Cenário
Só que os ventos mudaram de direção quando a China começou, em junho, a adotar medidas para estabilizar os mercados de aço e minério de ferro, a fim de conter a alta das commodities. Nas bolsas chinesas, os preços do minério de ferro passaram a apresentar uma elevada volatilidade, coincidindo também com maiores preocupações dos mercados com o ritmo do crescimento da economia mundial diante de riscos como a disseminação da variante Delta do novo coronavírus e com expectativas de retirada de estímulos monetários pelos principais bancos centrais do mundo.
Outro entrave para o papel foi uma greve dos funcionários na usina de Sudbury, no Canadá, no início de junho. “As dificuldades enfrentadas pela companhia em suas operações em Sudbury devido à paralisação de funcionários afetou significativamente a produção de metais básicos, especialmente a produção de níquel, o que levou a companhia a rever seu target nas operações de níquel e cobre”, comentou Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos.
O tombo de Vale ON foi insuficiente, no entanto, para tirar o papel da carteira de recomendações de algumas casas de análise no começo do segundo semestre. Segundo a plataforma Kinvo, VALE3 era a terceira ação mais presente nas carteiras de investimentos de bancos e casas de análise, atrás de Magazine Luiza e Taesa, com preço-alvo variando entre R$ 120 e R$ 130 em média. O levantamento foi realizado com base em 345.729 carteiras dos usuários da ferramenta que investem em ações.
Recomendação
O papel da mineradora é um dos 10 recomendados, por exemplo, da carteira principal do Bradesco BBI para este mês de setembro. “Continuamos otimistas com a Vale, e ajustamos nossa projeção de preço do minério de ferro de 2021/22/23 para US$ 170/120/70. As condições do mercado de minério em 2022 devem ser realmente mais frouxas em comparação com 2021, mas o mercado ainda deve estar com déficit relevante. Vemos os preços de minério sendo negociados agora mais próximos dos fundamentos de oferta/demanda, o que implica que os investidores podem ficar mais confortáveis com a compra de ações da Vale após a recente queda nos preços (o minério de ferro caiu desde seu pico recente de cerca de US$ 230/tonelada para cerca de US$ 150/tonelada atualmente)”, comentou a instituição, em relatório.
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Os múltiplos do papel, bem como sua correlação com o preço do minério de ferro, também são mencionados pela equipe do Bradesco BBI. “Calculamos que as ações da Vale refletem os preços do minério de ferro em cerca de US$ 60/tonelada na perpetuidade, começando em 2022 (contra os níveis spot de cerca de US$ 150/tonelada e nossa estimativa de 2022 de US$ 120/tonelada). De acordo com nossa nova estimativa de US$ 28,5 bilhões de EBITDA para 2022, a Vale negocia a 3,8x EV / EBITDA 2022, abaixo dos níveis justos de 4,5-5,0x para este ponto do ciclo, com um FCF yield (taxa de retorno sobre o fluxo de caixa livre) de 15% e dividend yield de 15%”, diz o banco
Vale ON é o ativo de maior peso (14,477%) na composição da nova carteira do Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, seguida pela Itaú Unibanco PN (6,180%), Petrobras PN (5,222%), Bradesco PN (4,517%) e Petrobras ON (4,062%). Essa carteira teórica começou a valer na última segunda-feira e vigora até o dia 30 de dezembro.
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