Países do FMI aprovam recorde de US$ 650 bilhões para combater o vírus

Criação dos ativos de reserva – conhecidos como direitos especiais de saque – é a primeira desde a crise financeira global de 2009

Possível realocação dos percentuais dos direitos especiais de saque pode beneficiar países mais pobres
Por Eric Martin
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Bloomberg — O Fundo Monetário Internacional aprovou a maior injeção de recursos de sua história, alocando US$ 650 bilhões para ajudar os países a liquidar as dívidas e lidar com o resultado da pandemia de Covid-19.

A criação dos ativos de reserva – conhecidos como direitos especiais de saque – é a primeira desde a emissão de US$ 250 bilhões após a crise financeira global de 2009. A diretora executiva do FMI Kristalina Georgieva considera a decisão “uma vacina para o mundo” que vai ajudar a impulsionar a estabilidade econômica global.

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“A alocação dos direitos especiais de saque beneficiará todos os membros, abordará a necessidade global de longo prazo por reservas, fortalecerá a confiança e fomentará a resiliência e a estabilidade da economia global”, afirmou Georgieva em declaração na segunda-feira. “E ajudará especialmente os países mais vulneráveis que se esforçam para lidar com o impacto da crise causada pelo Covid-19”.

Os guardiões da economia global tiveram atritos com o plano durante mais de um ano. O auxílio foi inicialmente postergado quando os EUA – maior acionista do FMI – o rejeitou no início de 2020, quando o secretário do Tesouro do então presidente Donald Trump, Steven Mnuchin, disse que os recursos não chegariam às nações que mais precisavam.

A opinião do país mudou após a entrada de sua sucessora, Janet Yellen, e o fundo explorou suas opções para membros com situações financeiras sólidas, a fim de realocar as reservas para auxiliar países vulneráveis e de baixa renda. As reservas atualmente são alocadas a todos os 190 membros do FMI de maneira proporcional à sua quota, e 70% dessas reservas são destinadas ao grupo das 20 maiores economias – com apenas 3% reservado para países de baixa renda.

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De maneira geral, 58% dos novos direitos especiais de saque são destinados a economias avançadas, e 42% a economias emergentes e em desenvolvimento. Assim, dos US$ 650 bilhões, cerca de US$ 21 bilhões irão para países de baixa renda e US$ 212 bilhões irão para outros mercados emergentes e países em desenvolvimento, sem contar a China, segundo cálculos do Departamento do Tesouro dos EUA.

O grupo das sete economias avançadas endossou, em junho, um plano para realocar US$ 100 bilhões de novos direitos especiais de saque a países mais pobres, porém, em julho, o G-20 especificou apenas o apoio a uma alocação geral de US$ 650 bilhões em direitos especiais de saque, sem detalhar que parte dessa quantia seria emprestada novamente.

A realocação será crucial para ajudar os países na África, que possuem apenas cerca de US$ 33 bilhões destinados à emissão de seus direitos especiais de saque. A França se comprometeu a realocar parte de seus direitos especiais de saque a países africanos.

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O presidente sul-africano Cyril Ramaphosa disse anteriormente que cerca de um quarto da alocação total – o equivalente a US$ 162 bilhões – deveria ser disponibilizado a países africanos. Ele pediu aos países ricos que doem – e não apenas emprestem – suas alocações.

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