Conservadores veem otimismo exagerado em bolsas dos EUA

Em vez de moderar as expectativas depois de um forte rali, os que apostam na alta estão cada vez mais otimistas

Quase 65% dos clientes em uma pesquisa do JPMorgan Chase disseram que planejam aumentar a exposição às ações nas próximas semanas
Por Vildana Hajric
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Bloomberg — Em um mercado que não registra queda de 5% em nove meses, em que recordes são batidos a cada quatro dias e os lucros corporativos dobraram, a impressão é que as boas notícias nunca vão acabar. É assim que investidores começam a se comportar, e isso incomoda pesquisadores.

Em vez de moderar as expectativas depois de um forte rali, os que apostam na alta estão cada vez mais otimistas. Quase 65% dos clientes em uma pesquisa do JPMorgan Chase disseram que planejam aumentar a exposição às ações nas próximas semanas. Entre a minoria de entrevistados que disseram estar preocupados com a variante delta do coronavírus, quase todos acreditam que o impacto será temporário.

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Toda essa euforia elevou um indicador do Bank of America que acompanha os níveis de otimismo entre estrategistas para um pico pós-crise. O mercado está apostando tudo em um momento particularmente arriscado: o período após o pico deste ciclo de crescimento dos lucros, que deu início a retornos abaixo da média no passado.

“A exuberância continua generalizada”, disse Michael O’Rourke, estrategista-chefe de mercado da JonesTrading. “A teoria dos picos triplos - pico de lucros, pico de crescimento econômico e pico de estímulo - é legítima, e os investidores devem ser cautelosos. O crescimento econômico e os lucros ainda serão positivos, mas haverá desaceleração nesse crescimento, à qual os mercados reagirão.”

Embora as ações sejam embaladas pela temporada de balanços - os lucros no segundo trimestre subiram 89% em relação há um ano -, a taxa de crescimento das empresas no índice S&P 500 deve diminuir em cada um dos próximos três trimestres. Nas últimas três vezes que isso aconteceu depois de uma recessão, as bolsas sentiram o impacto, de acordo com o RBC Capital Markets.

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“A desaceleração das taxas de crescimento do lucro por ação tende a desequilibrar as ações temporariamente”, escreveu Lori Calvasina, chefe de estratégia de renda variável dos EUA no banco. “Isso justifica uma retração modesta no mercado acionário mais amplo dos EUA durante a segunda metade do ano.”

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