Bloomberg — O presidente Jair Bolsonaro, sob a pressão da CPI da Covid no Senado, que investiga a administração da pandemia em seu governo, prepara mudanças em alguns cargos de ministérios para acomodar um representante da Casa.
O senador Ciro Nogueira, líder do poderoso grupo de partidos centristas no Congresso – o chamado “centrão” – provavelmente se tornará o ministro-chefe da Casa Civil, substituindo o general Luiz Eduardo Ramos, que, por sua vez, se tornará o secretário-geral, segundo pessoas familiarizadas com a mudança.
Bolsonaro também recriará o Ministério do Trabalho, pasta controlada pelo Ministério da Economia após sua posse, que será administrada por Onyx Lorenzoni, aliado de longa data e atual ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência.
A popularidade de Bolsonaro diminuiu, chegando a baixas recordes após investigações do Senado constatarem evidências de corrupção na compra de vacinas contra Covid-19. O próprio presidente é alvo de uma investigação criminal autorizada pelo mais alto tribunal do país que busca verificar se Bolsonaro conseguiu mitigar as irregularidades nos contratos de vacinas após ser alertado.
O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou a repórteres na quarta-feira que haverá mudanças nas responsabilidades de sua pasta no que diz respeito a trabalho e renda. Duas pessoas familiarizadas com a questão afirmaram que o ministro não era favorável à nova estrutura, embora a considerasse necessária para melhorar a situação política de Bolsonaro. Lorenzoni e Guedes se reuniram na quarta-feira.
No começo do dia, Bolsonaro, que atualmente não tem partido e precisa de alianças para aprovar leis no Congresso, também confirmou que pretende fazer mudanças, mas não citou nomes.
“Estamos trabalhando em uma pequena mudança ministerial, que deve ocorrer na segunda-feira, para a gente continuar administrando o Brasil”, disse em uma entrevista transmitida nas redes sociais. “Sabia que o trabalho não ia ser fácil, mas realmente é muito difícil. Não recomendo essa cadeira para os meus amigos.”
Enquanto Bolsonaro tem um ambiente mais calmo na Câmara, chefiada por Arthur Lira, os senadores foram mais críticos quanto a seu governo, ampliando os trabalhos da CPI que investiga a resposta à pandemia. Bolsonaro também precisa que o Senado aprove a nomeação de André Mendonça, pastor evangélico, para uma cadeira no STF.
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