Bloomberg Línea — A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (4) a 3ª fase da Operação Compliance Zero. Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está entre os quatro alvos de mandados de prisão preventiva cumpridos em São Paulo e Minas Gerais.
A determinação é do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que passou a ser o relator dos inquéritos do caso.
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A defesa de Vorcaro informou, em nota, que o empresário esteve à disposição das autoridades e colaborou com as investigações desde o início, e que não houve tentativa de obstrução. A defesa nega as alegações e afirma ter confiança no devido processo legal.
Esta é a segunda prisão de Vorcaro no âmbito da operação. Em novembro de 2025, ele foi detido pela PF no momento em que se preparava para embarcar num voo ao exterior, em São Paulo. Foi solto dez dias depois.
A prisão desta quarta-feira é preventiva, modalidade sem prazo de duração pré-determinado em lei, mas deve ser revisada pelo juiz periodicamente.
Além dos quatro mandados de prisão, o STF expediu 15 mandados de busca e apreensão e ordens de afastamento de cargos públicos.
O ministro André Mendonça determinou ainda o sequestro e o bloqueio de bens em montante de até R$ 22 bilhões. De acordo com a PF, a medida tem o objetivo de interromper a movimentação de ativos do grupo sob investigação e preservar valores com relação às práticas ilícitas apuradas.
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As investigações têm apoio do Banco Central. A PF apura suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos praticados por organização criminosa.
Em nota, o BC afirmou que a 3ª Fase da Operação Compliance Zero representa um passo “essencial” para o esclarecimento dos fatos e informou ter identificado, durante revisão interna dos processos de fiscalização e liquidação do Master, “indícios de percepção de vantagens indevidas” por dois servidores de seu quadro permanente.
A instituição afastou cautelarmente os servidores, instaurou procedimentos correcionais e comunicou os indícios à PF, assegurando que as condutas identificadas “receberão resposta sancionatória” conforme a lei, observados o devido processo legal e o direito à ampla defesa.
O Banco Master, liquidado em 2025, foi uma instituição financeira de médio porte com presença nos segmentos de atacado e varejo. Antes da liquidação, o banco foi ao centro de um debate de proporções sistêmicas.
A tentativa de incorporação pelo BRB (Banco de Brasília) expôs o volume de CDBs (Certificados de Depósito Bancário) do Master cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e questionou os limites da supervisão do BC sobre instituições de menor porte. O negócio não foi aprovado pelo regulador, e a liquidação gerou um ônus superior a R$ 50 bilhões ao fundo.
Mensagens e defesa de Vorcaro
A decisão de Mendonça cita mensagens atribuídas a Vorcaro em um grupo de WhatsApp nas quais ele teria discutido retaliar um jornalista por meio de um assalto forjado, além de indícios de ameaças a funcionários.
Investigadores apontam ainda que dois ex-servidores do BC atuaram como consultores informais seus, com supostas vantagens indevidas formalizadas por contratos simulados de consultoria.
Em nota divulgada após a prisão, a assessoria de Vorcaro afirmou que suas mensagens “foram tiradas de contexto” e que, caso tenha se exaltado em algum momento, o fez “em tom de desabafo, em privado, sem qualquer objetivo de intimidar quem quer que seja”, acrescentando que jamais determinou ou determinaria qualquer forma de violência. A defesa informou que ele segue colaborando com as autoridades.
--Texto atualizado às 17h10 para incluir conteúdo da nota de Daniel Vorcaro
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