Bloomberg — O Spotify divulgou resultados financeiros que frustraram Wall Street, ao projetar um lucro operacional para o trimestre atual abaixo das estimativas dos analistas.
A empresa sueca espera um lucro operacional de € 630 milhões (US$ 737 milhões) no trimestre atual, informou em comunicado nesta terça-feira. O valor se compara à previsão de € 674,3 milhões feita por analistas.
A receita avançou 8% para € 4,5 bilhões nos três primeiros meses do ano, em linha com a estimativa de € 4,53 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg.
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O Spotify registrou 761 milhões de usuários ativos mensais, acima dos 759 milhões esperados por Wall Street.
Os assinantes pagos cresceram 9%, para 293 milhões. Para o trimestre atual, porém, a empresa projeta 299 milhões de assinantes premium, abaixo da estimativa de 300 milhões.
Os resultados evidenciam os desafios enfrentados pelos novos co-CEOs, que assumiram o comando no início deste ano após o cofundador Daniel Ek deixar o cargo depois de quase duas décadas na empresa. As ações caíram 10% no pré-mercado.
Após forte valorização no ano passado, os papéis do Spotify acumulavam queda de 15% em 2026 até o fechamento de segunda-feira.
Wall Street ainda não está totalmente convencida de que a empresa tem um plano para enfrentar a inteligência artificial e a companhia sofre pressão competitiva de gigantes de tecnologia como YouTube, Amazon.com e Meta Platforms, onde os usuários também consomem música, livros e podcasts.
O Spotify há tempos deixou de ser apenas uma plataforma de música e passou a oferecer um amplo portfólio de conteúdo de áudio e vídeo, incluindo livros, podcasts e, mais recentemente, uma parceria com a Peloton para disponibilizar mais de 1.000 aulas de exercícios no serviço.
Gustav Söderström e Alex Norström, que assumiram a liderança conjunta em janeiro, disseram à Bloomberg News em entrevista no ano passado que o objetivo é manter a plataforma relevante e atrativa para os usuários.
Os executivos acreditam que as pessoas continuarão assinando o serviço se perceberem valor no tempo que passam na plataforma.
A empresa aposta que os usuários encontrarão conteúdo suficiente para justificar preços mais altos.
O Spotify elevou em janeiro o valor da assinatura premium em 8% nos Estados Unidos, para US$ 13 por mês, sob pressão de analistas para alinhar os preços aos de outras plataformas de consumo, como a Netflix.
A empresa conta com uma base de usuários altamente fiel, que muitas vezes passou anos construindo bibliotecas de música e áudio, o que reduz a propensão a cancelamentos.
“O Spotify continua adicionando formas positivas, relevantes e interativas de engajamento: mais vídeo, controle de algoritmos, ferramentas de mixagem e experiências presenciais”, escreveu Sean Diffley, analista do Morgan Stanley, em nota antes da divulgação dos resultados.
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Ao completar 20 anos neste mês, o Spotify busca garantir que continuará relevante na forma como as pessoas consomem música e outros conteúdos. Pioneira no uso de aprendizado de máquina para curadoria de playlists, a empresa agora enfrenta o desafio de usar a inteligência artificial a seu favor, evitando que a plataforma seja inundada por conteúdo de baixa qualidade gerado por IA.
O Spotify está disponível em várias plataformas de IA, incluindo ChatGPT e Claude, além de smart TVs.
A empresa testa permitir que usuários personalizem recomendações ao direcionar o algoritmo aos seus gostos e também usa IA para criar playlists de músicas e podcasts. A companhia lançou ainda o recurso Page Match, que permite escanear uma página de um livro físico e retomar o audiolivro a partir daquele ponto.
Ao mesmo tempo, embora tenha reduzido o quadro de funcionários e diminuído o número de podcasts distribuídos, seu podcast Good Hang, apresentado por Amy Poehler, venceu um prêmio Globo de Ouro neste ano e rapidamente se tornou um dos 50 mais populares dos Estados Unidos.
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