Bloomberg — A Origem Energia planeja armazenar gás natural no subsolo no Brasil como estratégia de hedge de preços para reforçar o sistema elétrico do país, dependente de fontes renováveis, e atrair data centers com alto consumo de energia.
A produtora de gás natural investirá até US$ 150 milhões em um projeto para estocar suprimentos em reservatórios esgotados no estado de Alagoas, disse o presidente-executivo Luiz Felipe Coutinho em entrevista à Bloomberg News.
A empresa pretende tornar mais barato o fornecimento às usinas quando o sistema estiver sob pressão e equilibrar a geração renovável intermitente, tratando os locais de armazenamento como fonte de energia.
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A Origem também comprará gás natural da rede quando estiver mais barato para evitar picos de preços quando a oferta estiver limitada, afirmou Coutinho.
“Planejamos transformar o hub da Origem em Alagoas na maior bateria do sistema elétrico brasileiro”, disse Coutinho. “O armazenamento é a bateria mais barata que existe.”
O Brasil mira os data centers, que consomem grandes volumes de eletricidade e operam 24 horas por dia. Atrair esses desenvolvimentos depende da capacidade de atender à demanda quando a geração eólica e solar cai à noite ou quando as condições climáticas são desfavoráveis, disse o executivo.
O Brasil depende de fontes renováveis para quase 90% de sua geração de energia — uma das taxas mais altas do mundo. Usinas termelétricas a gás geralmente são projetadas para entrar em operação rapidamente e fornecer respaldo quando a geração hidrelétrica, eólica e solar enfraquece.
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O armazenamento subterrâneo de gás proporcionará maior segurança energética em um país que depende de gás importado quando secas reduzem a geração hidrelétrica, afirmou Coutinho.
“Nosso parque térmico pode ser ativado em menos de uma hora” para fornecer energia quando a geração de energia renovável diminuir, disse ele.
A rede de gasodutos do Brasil também está atrasada em relação a outras grandes economias, como os Estados Unidos e a Europa. O local de armazenamento ajudará a abastecer as usinas existentes e planejadas da Origem, além de contribuir para reduzir os gargalos nos gasodutos.
A primeira fase do projeto terá capacidade de armazenamento de 60 milhões de metros cúbicos e poderá entrar em operação em três a quatro meses, disse Coutinho.
A produção da Origem tem crescido cerca de 30% ao ano e atualmente soma 14.500 barris por dia de petróleo e gás natural equivalente, disse Coutinho. “Ainda temos um caminho para um crescimento significativo”, afirmou.
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