Bloomberg Línea — Quando a Embraer (EMBJ3) anunciou, na quinta-feira (2), que havia entregue 65 aeronaves no segundo trimestre, o melhor resultado da companhia para o período em 16 anos, o mercado reagiu ao dado.
JPMorgan e Citi, os dois maiores bancos a cobrir a ação, bateram na mesma tecla: entregas 8% e 14% acima de suas próprias estimativas, respectivamente, e sinal de que a companhia está “nivelando a produção” depois de anos de trimestres irregulares.
Por volta das 11h desta sexta-feira (3), as ações da Embraer subiam 1,70%, cotadas a R$ 84,50, acumulando queda de 4,65% no ano, mas leve valorização de 1,60% em 12 meses.
O que a tabela detalhada do comunicado, divulgada junto ao balanço, revela é uma história mais específica: o recorde tem nome e sobrenome. Do total, 20 unidades foram do Phenom 300E, jato leve com capacidade para um ou dois pilotos na cabine e com preço de lista a partir de US$ 12 milhões.
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Sozinho, o modelo superou as 20 entregas somadas de toda a divisão de Aviação Comercial da Embraer no trimestre, a mesma divisão que carrega a fama internacional da fabricante, com os jatos E175, E190-E2 e E195-E2 usados por companhias aéreas regionais em todo o mundo.
Não é acaso.
A família Phenom 300, da Embraer (B3: EMBJ3 / NYSE: EMBJ), segue dominante como jato leve mais vendido do mundo pelo 14º ano consecutivo, de acordo com a General Aviation Manufacturers Association (GAMA). Os dados da instituição também confirmam o modelo como o bimotor a jato mais entregue pelo sexto ano seguido.
Em 2025, a Embraer entregou 72 aeronaves da série Phenom 300, o maior volume anual da década. Com mais de 900 jatos em operação globalmente, presentes em 70 países e somando mais de 2,9 milhões de horas de voo, a série Phenom 300 segue como padrão de referência em desempenho, tecnologia e conforto na categoria de jatos leves.
Segundo dados da General Aviation Manufacturers Association (GAMA) divulgados em fevereiro pela própria Embraer, o Phenom 300 é o jato leve mais vendido e mais entregue do planeta por 14 anos consecutivos, e o bimotor a jato mais entregue do mundo pelo sexto ano seguido. Em 2025, foram 72 unidades da série Phenom 300, o maior volume anual da década.
Com mais de 900 jatos em operação globalmente, presentes em 70 países e somando mais de 2,9 milhões de horas de voo, a série Phenom 300 tem, segundo a fabricante, o maior valor residual da categoria, o que ajuda a explicar por que, no mercado de usados, um Phenom 300E já voado é hoje anunciado por até US$ 14,7 milhões, mais caro que um exemplar zero-quilômetro de fábrica devido ao menor tempo de espera.
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“O Phenom 300E é o jato leve mais veloz em produção, com velocidade de cruzeiro de Mach 0,8 e capaz de voar sem escalas entre São Paulo e Manaus”, descreveu a fabricante por conta da exibição do jato no Catarina Aviation Show, no início de junho, no aeroporto privado de São Roque (SP).
Com alcance máximo de 3.724 km (2.010 milhas náuticas) e capacidade máxima de 11 ocupantes, dependendo da configuração interna escolhida pelo proprietário e da tripulação necessária, o Phenom 300E é capaz de voar a 45.000 pés (13.716 metros), impulsionado por dois motores Pratt & Whitney Canada PW535E1 com 3.478 libras de empuxo cada.

Certificação do Praetor 500E
O contraste das entregas do Phenom 300E fica mais nítido quando se olha para o outro extremo do portfólio.
O E195-E2, maior jato comercial em produção pela Embraer e vitrine tecnológica da companhia, entregou apenas 6 unidades no trimestre, queda de 33% ante o mesmo período do ano passado e bem abaixo das 11 que o JP Morgan projetava.
É o mesmo avião que a Embraer vem colecionando como o pedido mais valioso de sua carteira: somente neste ano, a americana Avelo Airlines fechou compra de 50 unidades a preço de lista de US$ 4,4 bilhões, e a LATAM, 24 unidades por cerca de US$ 2,1 bilhões.
São pedidos que valem, juntos, mais de 30 vezes o faturamento implícito de todo o trimestre em jatos comerciais. A demanda pelo avião mais caro do catálogo cresce mais rápido do que a fábrica consegue entregá-lo.
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Enquanto isso, a aviação executiva vive um momento de transição de geração.
Dois dias antes de divulgar o balanço, em 30 de junho, a Embraer anunciou a certificação tríplice (ANAC, FAA e EASA) do Praetor 500E, sucessor do atual Praetor 500, que, somado ao Praetor 600, respondeu por 21 entregas no trimestre e 34 no semestre, os números mais fortes da linha em anos.
A nova geração, porém, só começa a ser entregue a partir de 2029, segundo a própria companhia. Ou seja: no auge comercial da geração atual, o cliente que fecha pedido hoje de um Praetor está comprando, na prática, um projeto que já tem sucessor aprovado nas principais agências reguladoras do mundo, mas ainda sem data de entrega própria.
Para o Citi, a leitura de curto prazo é de que bastaria a Embraer repetir, no segundo semestre de 2026, o volume entregue no mesmo período de 2025 para cumprir integralmente o guidance anual da companhia, um sinal de que a meta, hoje, é mais formalidade do que desafio.
O verdadeiro teste, porém, não está no volume agregado, mas no mix: enquanto o jato mais barato do portfólio bate recordes de vendas havidos em uma década, o mais caro segue represado. E é ele quem decide o tamanho do backlog recorde de US$ 32,1 bilhões que a companhia carrega para o segundo semestre.
--Texto atualizado às 13h40 com dados de 2025 da frota global da série Phenom 300
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