Bloomberg Línea — A Natura (NATU3) anunciou a troca de CEO nesta segunda-feira (31), cerca de dois meses depois de a Advent International atingir uma participação de 8% no capital da companhia, fatia prevista em acordo firmado anteriormente.
Segundo comunicado da companhia, João Paulo Ferreira deixará o cargo de CEO. Alessandro Carlucci, que comandou a Natura entre 2005 e 2014 e mais recentemente presidia o conselho de administração, assume em 1º de outubro.
Fábio Barbosa, até então integrante do conselho consultivo, assume a presidência do conselho de administração.
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Após o anúncio, as ações da Natura subiam mais de 7% nesta manhã, para R$ 9,38 (+7,32%). No acumulado do ano, os papéis acumulam alta de 30% e de 4,7% nos últimos 12 meses.
Avanço da Advent
O fundo Lotus, gerido pela Advent, atingiu em 1º de julho uma participação de 8% na Natura, segundo dados da B3. A fatia fica abaixo apenas dos 8,84% da Dynamo e supera as de Pzena (5,37%), Aikya (5,11%) e Baillie Gifford (5,06%).
O JPMorgan classificou o avanço da Advent como “incrementalmente positivo”. O banco avaliou que a presença da gestora poderia funcionar como catalisador para uma execução mais forte e maior disciplina de capital, sobretudo diante do foco da Natura na América Latina. A Advent permanece como acionista minoritária, sem mudança de controle ou direito a veto.
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Na teleconferência de resultados do segundo trimestre, em agosto, a diretoria disse a analistas que o desempenho fraco no Brasil vinha de falhas de execução, não de queda de demanda, e que esperava recuperação gradual ao longo do segundo semestre, à medida que a disponibilidade de produto normalizasse, segundo relatório do JPMorgan sobre a teleconferência.

As vendas da marca Natura caíram 14% na comparação anual, refletindo principalmente a indisponibilidade grave de produtos e o ambiente macroeconômico desafiador, segundo relatório do Citi. O banco também cita um efeito temporário ligado ao ICMS, o imposto estadual sobre mercadorias, que distorceu a comparação do trimestre.
O Ebitda ajustado superou o consenso do mercado, impulsionado por créditos tributários de R$ 53 milhões, segundo o Citi. O lucro líquido de R$ 35 milhões, porém, ficou abaixo da projeção do banco, pressionado por despesas financeiras e impostos maiores.
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A dívida líquida recuou de R$ 4,04 bilhões para R$ 3,86 bilhões no trimestre, com a alavancagem estável em 2,35 vezes o Ebitda dos últimos 12 meses.
De volta ao comando
Carlucci soma 25 anos de casa, tendo ingressado em 1989, segundo publicação do próprio executivo no LinkedIn, e presidido a empresa entre 2005 e 2014, de acordo com o comunicado da Natura.
“Foram 25 anos de muito aprendizado, sendo uma década como CEO”, escreveu no LinkedIn.
Depois disso, mudou-se para os EUA, atuou com empresas e universidades e integrou conselhos de grandes varejistas, antes de retomar proximidade com a Natura, inclusive no processo de desinvestimento da Avon Internacional, e presidir o conselho de administração da companhia, do qual era membro desde 2025, segundo o mesmo post.
“O foco estará em acelerar a execução da estratégia já em curso”, disse Carlucci, no comunicado da companhia.
No LinkedIn, ele detalhou as frentes prioritárias: “fortalecer nossas marcas, ampliar nossa agenda de inovação, expandir o ecossistema multicanal, avançar na digitalização da venda direta e impulsionar o crescimento no Brasil e na América Latina”.
-Texto atualizado às 15h13 para incluir comentário do novo CEO
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