Lilly amplia ofensiva global contra mercado ilegal de novo medicamento para obesidade

Farmacêutica prepara ações judiciais e cobra maior repressão de reguladores ao comércio clandestino do retatrutide, injeção experimental com o qual a empresa conta para expandir sua linha de produtos para perda de peso

Empresa afirma ter denunciado mais de 14.000 sites, anúncios, publicações nas redes sociais e listagens de produtos em mais de 100 países (Foto: Tom Strickland/Bloomberg via Getty Images)
Por Madison Muller
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Bloomberg — A Eli Lilly decidiu intensificar sua luta contra o crescente mercado ilegal do retatrutide, medicamento experimental com o qual a empresa conta para expandir sua importante linha de produtos para perda de peso.

Há quase dois anos, a Lilly tem alertado consumidores para que não tomem versões falsificadas da injeção que são vendidas online e em clínicas de bem-estar e spas médicos. O medicamento não foi aprovado por órgãos reguladores em nenhum lugar do mundo.

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Agora, a Lilly aumentou a pressão. A farmacêutica informou nesta quarta-feira (12) que planeja entrar com ações judiciais contra empresas norte-americanas que vendem produtos à base de retatrutide ilegalmente e solicitou que os órgãos reguladores tomem medidas mais enérgicas para coibir o mercado ilícito.

As empresas que possibilitam e facilitam essas vendas — incluindo operadoras de cartão de crédito, empresas de remessa e plataformas de mídia social — também têm um papel a desempenhar na proteção dos consumidores, afirmou a Lilly, classificando a situação como uma “crise urgente de saúde pública”.


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Max Denning, vice-presidente associado da Lilly que supervisiona a segurança global dos pacientes na divisão de saúde cardiometabólica, disse que rastrear o retatrutide falsificado é como enxugar gelo. Os medicamentos são frequentemente fabricados por empresas estrangeiras não regulamentadas, segundo a Lilly.

“É um problema enorme, um problema global”, afirmou Denning em entrevista à Bloomberg News. “Não é algo que possamos resolver sozinhos.”

A Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) afirmou que é ilegal que farmácias preparem o retatrutide. Desde 2024, a FDA enviou cartas de advertência a pelo menos 16 empresas que alegavam vender o retatrutide. No entanto, até 11 de agosto, muitas delas ainda estavam vendendo versões falsificadas do medicamento, de acordo com uma análise da Bloomberg. A FDA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário fora do horário comercial normal.

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Nos bastidores, a Lilly tem trabalhado há anos para coibir o comércio global de retatrutide. A empresa denunciou mais de 200 entidades à FDA, ao Departamento de Justiça dos EUA, aos procuradores-gerais estaduais, às autoridades policiais e aos conselhos de regulamentação profissional. A Lilly afirma ter denunciado mais de 14.000 sites, anúncios, publicações nas redes sociais e listagens de produtos em mais de 100 países, mas algumas empresas continuam a divulgar conteúdo enganoso para consumidores vulneráveis.

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A Lilly e sua rival, a Novo Nordisk, vêm travando uma batalha semelhante contra versões genéricas de seus medicamentos mais vendidos para perda de peso, o Zepbound e o Wegovy. Mas o retatrutide elevou essa luta a um nível totalmente novo.

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As ações da Lilly apresentaram poucas variações nas negociações antes da abertura das bolsas dos EUA na quarta-feira. A Novo registrou queda de até 3,3% em Copenhague, com a maior parte da perda ocorrendo antes do anúncio da Lilly.

O entusiasmo em torno do retatrutide vem crescendo há anos, desde que a Lilly revelou os resultados de um estudo de fase intermediária que sugeria que o medicamento poderia ser mais potente do que qualquer outro medicamento para perda de peso atualmente no mercado.

Desde então, pessoas em todo o mundo têm se esforçado para obter versões no mercado negro, comprando-as de vendedores no exterior que as comercializam como “apenas para uso em pesquisa” para evitar fiscalização.

Nas redes sociais, o medicamento é chamado de “reta” ou “r3ta”, às vezes até mesmo de “ratatouille”, à medida que as pessoas encontram cada vez mais maneiras de contornar algumas das restrições que empresas como o TikTok impuseram ao conteúdo relacionado à perda de peso.

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Se aprovado pelos órgãos reguladores, espera-se que o retatrutide gere mais de US$ 5,4 bilhões em vendas anuais para a Lilly até 2030. Mas o mercado ilegal pode representar um grande risco. Quaisquer preocupações com a segurança decorrentes de versões falsificadas poderiam ameaçar a reputação do medicamento, embora a Lilly tenha conduzido seu próprio programa de ensaios clínicos em larga escala com o medicamento. A empresa planeja solicitar a aprovação da FDA no início do próximo ano.

A Lilly afirmou que houve algumas ações “encorajadoras” por parte das autoridades federais e estaduais, incluindo uma grande apreensão realizada pela Alfândega e Proteção de Fronteiras em Cincinnati no ano passado. Promotores federais também têm atuado contra vendedores ilegais e, no mês passado, um juiz condenou o proprietário de uma empresa popular de peptídeos que vendia retatrutida a quase seis anos de prisão.

Denning afirmou que a Lilly também está colaborando com as autoridades de fiscalização no Reino Unido, Brasil, Nova Zelândia, Arábia Saudita e Hong Kong.

A empresa está instando os órgãos reguladores e as agências de fiscalização a priorizarem as ações de fiscalização e “a coordenarem esforços transfronteiriços para desmantelar as redes criminosas” envolvidas na venda de retatrutida, disse ele.

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