Investidores veem mais dor para as ações da Hapvida após queda de 90% desde o IPO

Na visão de analistas, operadora de de planos de saúde e hospitais tem sido afetada por custos crescentes, litígios constantes e uma dívida cada vez maior, e enfrenta dificuldade para repassar os preços

Unidade da Hapvida em São Paulo
Por Leda Alvim
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Investidores veem poucos motivos para otimismo em relação à Hapvida (HAPV3), operadora de planos de saúde e hospitais afetada por custos crescentes, litígios constantes e uma dívida cada vez maior.

A Hapvida é apenas uma das empresas em dificuldades no setor de saúde do país, mas o desempenho catastrófico de suas ações chamou a atenção para seus muitos problemas.

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A companhia, que tem o pior desempenho da bolsa brasileira neste ano, viu suas ações despencarem mais de 90% desde a oferta pública inicial em 2018. O papel registrou perdas que variaram de 12% a 56% em cada um dos últimos cinco anos.

“É o clássico ‘value trap’”, disse Renato Jerusalmi, sócio-fundador e gestor da Riza Asset Management. “Parece barato, e vai ficando mais barato ainda. A Hapvida é esse caso levado ao extremo.”


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No mês passado, um dos gestores de fundos de ações mais conhecidos do país classificou sua aposta de vários anos na Hapvida como o “maior erro de investimento da nossa história”. Apenas um analista acompanhado pela Bloomberg recomenda a compra da ação.

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Investidores temem que a situação ainda possa piorar. Diante do aumento dos custos, a Hapvida precisa permitir que essas despesas reduzam suas margens ou repassá-las aos pacientes, correndo o risco de afastar sua principal base de clientes, sensível a preços.

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“O grande desafio da Hapvida hoje é repassar preço, a empresa não vem conseguindo”, disse Jerusalmi. “A dúvida não é só se a empresa vai conseguir executar o repasse, mas quanto vai custar em termos de perda de beneficiários.

Um representante da Hapvida não quis comentar.

Ações da Hapvida (HAPV3)

7.33BRL+6.70%
+0.46 BRL
1D
1M
3M
YTD
1A
3A
5A
Os dados podem ter atraso de ate 20 minutos.

Os problemas da Hapvida refletem as dificuldades de todo o setor privado de saúde no Brasil, que passou por uma onda de aquisições e expansão durante a pandemia de covid-19, mas agora enfrenta tempos difíceis.

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Kora Saúde, Alliança Saúde (AALR3) e Oncoclínicas (ONCO3) estão todas passando por reestruturações extrajudiciais depois de sucumbirem ao peso excessivo de suas dívidas.

Para a Hapvida, os problemas começaram de fato com o que, na época, parecia ser uma fusão promissora, em 2021, com a NotreDame Intermédica, criando uma empresa avaliada em mais de R$ 110 bilhões, que também estabeleceria uma presença relevante no populoso Sudeste brasileiro.

Mas esse plano ambicioso acabou pesando sobre os lucros. A empresa teve dificuldades para se adaptar a uma base de clientes de maior renda, enquanto os juros no Brasil subiam rapidamente e a inflação corroía suas margens.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ficou abaixo das expectativas dos analistas em três dos últimos quatro trimestres, com resultado 17% inferior ao esperado no período de abril a junho, segundo dados compilados pela Bloomberg.

“O grande desafio da Hapvida é recuperar margem em um setor no qual a inflação médica — terapias, procedimentos e maior utilização — cresce acima da inflação normal”, disse Murilo Arruda, gestor da Morada Capital.

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A situação é agravada por uma enxurrada de processos movidos por clientes que acionam a empresa na Justiça quando ela nega cobertura para procedimentos médicos.

A Hapvida registrou um salto no número de ações judiciais nos últimos trimestres, e Jerusalmi estima que elas representem pouco mais de 3% da receita líquida da companhia.

Assim, embora a Hapvida continue gerando caixa, grande parte desses recursos está sendo direcionada para esses custos crescentes, em vez de reduzir sua dívida de R$ 5,4 bilhões.

“A Hapvida ainda tem uma posição de caixa sólida”, escreveu o analista do BTG Samuel Alves em relatório recente, mas “o tempo está passando”, alertou. “O consumo persistente de caixa é cada vez mais preocupante.”

Veja masis em Bloomberg.com

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