Hellmann’s se consolidou na maionese. Agora quer avançar no ketchup, diz CEO no país

Em entrevista à Bloomberg Línea, Rodrigo Visentini, CEO da Unilever Alimentos no Brasil, diz que a companhia quer fazer do ketchup sua segunda principal categoria e ampliar a presença da Hellmann’s para além da maionese

Diversas marcas de ketchup nas gôndolas de um supermercado na capital paulista.
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Bloomberg Línea — Ao longo dos últimos 64 anos, a Hellmann’s fez da maionese seu principal negócio no país e uma das categorias mais relevantes da Unilever Alimentos. Agora, a companhia quer ampliar sua presença em outras frentes, sobretudo no ketchup e em molhos.

“A gente quer que seja a segunda categoria”, disse Rodrigo Visentini, CEO da Unilever Alimentos no Brasil, em entrevista à Bloomberg Línea, ao ser questionado sobre o espaço que o ketchup pode ganhar dentro da divisão que comanda.

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A Hellmann’s vende ketchup no Brasil desde 2002 e, em 2024, ampliou a aposta na categoria com o lançamento da linha Supreme.

Segundo Visentini, a maionese responde por “um pouco mais da metade” do negócio de alimentos da Unilever no Brasil. A companhia não divulga a participação exata da categoria no faturamento.

A aposta em uma nova avenida de crescimento ocorre enquanto a Hellmann’s continua avançando acima do mercado em sua principal categoria.

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Em 2025, as vendas da marca em maionese avançaram 15,9% em valor em relação ao ano anterior, ante alta de 13,5% do mercado, segundo dados da Nielsen Market Track fornecidos pela empresa.

Visentini explica que a expansão da Hellmann’s para além da maionese ganhou mais força há cerca de um ano e meio.

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A marca já tinha produtos como ketchup, mostarda e barbecue, mas a companhia passou a dedicar mais atenção a essas categorias e a novas ocasiões de consumo.

No ketchup, uma das apostas é a linha Supreme. A penetração do produto nos lares passou de 0,4% no primeiro semestre de 2025 para 1,2% no primeiro semestre deste ano, segundo dados da Worldpanel by Numerator fornecidos pela empresa.

Entre os compradores do Supreme, 92% eram novos para a marca Hellmann’s.

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“O que a gente está tentando fazer é desenvolver esse mercado. Assim como a gente fez em maionese, como você desenvolve o mercado e faz o ‘trade-up’”, disse Visentini.

Leia também: Unilever combina divisão de alimentos com McCormick em acordo avaliado em US$ 44,8 bi

O mercado de maionese é consideravelmente maior que o de ketchup no país, segundo executivos do setor. A Heinz, líder em ketchup, tem buscado avançar justamente nessa categoria. A companhia afirma deter 45% do mercado brasileiro de ketchup e também liderar em molho de tomate, considerando suas três marcas (Leia mais aqui).

Na maionese, porém, a liderança é da Hellmann’s, com cerca de 63% de participação de mercado, segundo dados fornecidos pela empresa.

Além da maionese

Enquanto tenta ganhar espaço no ketchup, a Hellmann’s continua buscando crescimento dentro da categoria que sustenta sua liderança no Brasil. Na maionese, a estratégia tem passado pela ampliação de produtos com sabores além da versão tradicional, como de churrasco e alho, pela linha light e por novos formatos de embalagem.

As maioneses saborizadas passaram a responder por 30,6% das vendas em valor das embalagens squeeze da Hellmann’s no primeiro trimestre de 2026, segundo a Nielsen.

Entre 2022 e 2025, o volume vendido desses produtos multiplicou-se por dez, enquanto as vendas em valor cresceram 13 vezes.

A Hellmann’s Light também cresceu acima da média da marca. As vendas em valor avançaram 48,4% em 2025 ante o ano anterior, enquanto a versão Light em squeeze teve alta de 93%, segundo dados Nielsen.

De um lado, Visentini diz que a maior procura por produtos associados a dietas específicas ou com formulações como as versões light e zero tem ajudado a demanda. De outro, vê espaço para produtos com mais sabor em ocasiões de indulgência.

A estratégia também passa pela ampliação dos tamanhos de embalagem. Segundo Visentini, o padrão de compra varia de acordo com a região: enquanto em São Paulo a embalagem de 500 gramas de maionese tem maior relevância, em mercados do Nordeste formatos menores, como sachês de 200 gramas, têm mais peso.

Maionese Hellmann's Light: primeira versão foi lançada em 1989 no país

A companhia pretende ampliar esses formatos menores também em produtos saborizados e light e está aumentando as opções de tamanho no ketchup.

Leia também: Como a Unilever cresceu 50% em alimentos em 3 anos de olho nas novas gerações

Em relação aos custos, o executivo disse que óleo de soja e ovos estão entre as principais matérias-primas da maionese e que os insumos representam pouco mais da metade do custo do produto.

Produção local e próximos passos

Todo o portfólio da divisão de alimentos comercializado pela Unilever no Brasil é produzido no país, segundo Visentini.

A companhia mantém duas fábricas de alimentos. A unidade de Pouso Alegre, em Minas Gerais, fabrica produtos de marcas como Hellmann’s, Knorr, Mãe Terra e Arisco (marca posicionada em uma faixa de preço mais baixa). Em Garanhuns, em Pernambuco, são produzidas Maizena e Cremogema.

A capacidade da fábrica de Pouso Alegre aumentou 3,32 vezes entre 2019 e 2025, segundo dado fornecido pela companhia.

Cerca de 98% da produção brasileira é destinada ao mercado doméstico, segundo Visentini, com uma parcela menor exportada para países como Chile, México e Argentina.

O executivo afirmou que o Brasil é a segunda maior operação da Hellmann’s no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, e o terceiro maior mercado da Unilever globalmente.

Combinação com a McCormick

Os planos de expansão da Hellmann’s no Brasil avançam em paralelo à reorganização global do negócio de alimentos da Unilever.

Em março, a companhia anunciou o acordo para combinar sua divisão de Alimentos com a McCormick, operação que inclui marcas como Hellmann’s e Knorr.

No fim de agosto, a Unilever anunciou que colocaria à venda a Colman’s, sua marca britânica de mostarda, em uma tentativa de antecipar possíveis preocupações concorrenciais com a transação, já que a McCormick é dona da French’s, segundo comunicado.

Visentini afirmou que a combinação do negócio com a McCormick ainda depende de aprovações regulatórias e de acionistas. Segundo o executivo, a estrutura da nova companhia — e seus impactos sobre a operação brasileira — ainda não estava definida no momento da entrevista, e deve ganhar maior clareza ao longo de 2027.

“Isso [a reestruturação] vai acontecer em fevereiro do ano que vem. Porque faltam os shareholders da McCormick assinarem esse deal”, disse o executivo.

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