Bloomberg Línea — A Avantto, uma das primeiras empresas de compartilhamento de aeronaves no Brasil, descobriu uma oportunidade de negócio não mapeada no Centro-Oeste brasileiro.
O helicóptero da família Esquilo emergiu como demanda inesperada na expansão da empresa para Goiânia, revelando um mercado em crescimento no agronegócio nacional.
“A nossa primeira grata surpresa lá na região foi essa demanda por helicóptero que a empresa não tinha, a princípio, mapeado”, revelou Rogério Andrade, CEO da Avantto, durante entrevista à Bloomberg Línea.
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A empresa opera dois modelos monoturbina da família Esquilo: o Airbus H125 (até cinco passageiros mais piloto) e o H130 (mais silencioso, até sete passageiros mais piloto). A frota inclui ainda o AW109 Grand, helicóptero bimotor da Leonardo (antiga AgustaWestland).
A descoberta da demanda extra da capital goiana aconteceu durante a implementação da primeira operação da empresa fora do eixo Rio-São Paulo, iniciada no segundo semestre de 2024.
A Avantto escolheu Goiânia como porta de entrada estratégica para o Centro-Oeste.
“Goiânia, brincamos que é a capital do resto do Brasil. Certamente é a capital do agro”, justificou Andrade.
O helicóptero Esquilo, produzido pela Helibras no Brasil com 43% de nacionalização sob licença da Airbus Helicopters, oferece vantagens operacionais específicas para o agronegócio.
Sua capacidade de operar em espaços reduzidos e proximidade com propriedades rurais justifica a demanda inesperada identificada pela Avantto.
A decisão baseou-se não apenas no potencial agrícola, mas na diversificação econômica da região. O PIB goiano oferece múltiplas oportunidades além do agronegócio.
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“A economia de Goiânia não é baseada só no agro. Então, você tem uma indústria farmacêutica muito forte. O setor imobiliário também é muito pujante em Goiânia”, explicou ele.
O helicóptero H125 (AS350 B3e), da família Esquilo, estabeleceu marcos significativos. Em 2005, o modelo bateu o recorde mundial de pouso no Monte Everest a 8.848 metros, segundo a fabricante Helibras.
“O modelo é o líder na frota de helicópteros a turbina civis e parapúblicos, ocupando 15% da frota global. No Brasil, o H125 representa cerca de 50% da frota de helicópteros monoturbina”, informa a Helibras.

Epic é o carro-chefe
O helicóptero Esquilo complementa a estratégia centrada na aeronave Epic (turbo-hélice de US$ 6 milhões, escolhida por operar em pistas curtas e não asfaltadas).
“O Epic é o carro-chefe do crescimento, mas há demanda para outro modelo de aeronave também”, afirmou Andrade sobre a necessidade de diversificar a frota.
A inclusão do Esquilo cria um diferencial competitivo único no mercado regional. “Isso faz com que a Avantto se diferencie ainda mais na região, porque vai ser a única empresa de compartilhamento que oferece tanto avião quanto helicóptero no programa”, destacou o CEO.
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O sistema integrado da Avantto permite flexibilidade operacional entre bases. “Um cotista de helicóptero em Goiânia, quando chega aqui em São Paulo, quando chega no Rio, tem o helicóptero dele à disposição usando uma das máquinas da frota daqui”, explicou Andrade.
A demanda por helicópteros reflete o crescimento do agronegócio brasileiro e suas necessidades específicas de mobilidade.
O Esquilo atende propriedades rurais com limitações de infraestrutura aeroportuária, oferecendo capacidade para até seis passageiros e operação em áreas restritas.
A descoberta fortalece a estratégia de expansão geográfica da empresa. “Enquanto mais lugares a empresa estiver, mais esse efeito de multiplicação, o efeito rede vai ser percebido pelos clientes”, avaliou o CEO sobre o potencial de crescimento através da capilaridade operacional.
Parceria para manutenção e sinergias
A Avantto mantém parceria com a Voar Aviação para serviços de hangaragem e manutenção em Goiânia.
“Somos um grande cliente de um provedor de serviços de hangaragem aqui em São Paulo, no Rio, e que é originário de Goiânia. Então, a nossa escolha natural foi seguir com eles lá em Goiânia”, justificou Andrade.
A expansão para o Centro-Oeste alimenta também o crescimento nas bases tradicionais com o efeito das sinergias.
“O fato de estar indo para a região Centro-Oeste, estar oferecendo aeronaves da Avantto em outros lugares, acaba aumentando a demanda aqui também, em São Paulo, no Rio”, revelou o executivo.
A empresa identifica demanda reprimida significativa na região. “O bonito da região do Centro-Oeste é que há uma demanda reprimida grande por lá e que a empresa deve sentir de forma mais acelerada agora, vem sentindo cada vez mais”, projetou Andrade sobre o potencial de mercado.
Encomenda de US$ 200 mi
A Avantto investe massiçamente na expansão, com encomenda de 34 aeronaves Epic totalizando US$ 200 milhões (cerca de R$ 1 bilhão, no câmbio atual). As novas aeronaves serão “mais literalmente, destinadas para a região do Centro-Oeste”, segundo o CEO.
Os números da empresa mostram trajetória ascendente. “A Avantto cresce entre 20% e 30% ao ano há muitos anos de receita”, informou Andrade.
A diversificação de clientes em Goiânia já apresenta resultados positivos. “O uso lá tem sido para o agronegócio, mas também com outros propósitos. Clientes com outros propósitos de uso. Até lazer também”, observou o CEO.
A clientela regional constrói perfil similar às bases tradicionais. “Vai construindo uma base de clientes com características até similares com o que a empresa tem em São Paulo. Mas tenho certeza que a predominância vai ser no agronegócio”, previu ele sobre a evolução do mercado local.
Matopiba no radar
A estratégia de expansão contempla crescimento no corredor São Paulo-Goiânia. “A ideia é que a empresa cresça a operação para outras cidades na região Centro-Oeste e na região do Matopiba (acrônimo que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia)”, revelou o CEO sobre os planos futuros de capilaridade geográfica.
A entrada do helicóptero Esquilo na operação da Avantto no Centro-Oeste representa mais que diversificação de frota. Para o CEO, também simboliza a evolução do mercado de compartilhamento de aeronaves no Brasil, expandindo além dos grandes centros urbanos para atender demandas específicas do interior produtivo nacional.
A frota brasileira de aviação executiva chegou a 11.239 aeronaves em novembro de 2025, alta de 6,5% em um ano, conforme levantamento da Abag (Associação Brasileira de Aviação Geral) com base em registros da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), divulgado pela Avantto em janeiro.
Nesse mercado, a Avantto opera 45 aeronaves a partir de bases em São Paulo (Congonhas e Campo de Marte), Rio de Janeiro (Jacarepaguá e Santos Dumont) e Goiás (Santa Genoveva), com mais de 450 usuários ativos, cerca de 1.400 decolagens mensais e mais de 850 mil quilômetros voados por ano.
Formado em Engenharia Civil pela USP (Universidade de São Paulo), Andrade iniciou a carreira como consultor na Accenture e, antes de fundar a Avantto, foi CFO e CEO da HeliSolutions, empresa pioneira em propriedade compartilhada de helicópteros.
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