Câmbio afeta preço de imóveis de luxo. Mansão de Marcio Garcia tem corte de R$ 150 mi

Após dois anos no portfólio da Piquet Realty, propriedade no condomínio Joatinga teve valor listado reduzido de R$ 250 milhões para R$ 100 milhões; consultoria vê pressão cambial sobre proprietários que precificam em dólar e avalia que baixar o preço pode ser a saída

Vista da mansão do Marcio Garcia no Rio

Bloomberg Línea — Uma casa do apresentador Marcio Garcia no condomínio Joatinga, zona oeste do Rio de Janeiro, à venda há quase dois anos, perdeu US$ 30 milhões de valor anunciado desde a listagem inicial. O cenário pressiona o setor pela apreciação do real e pela dificuldade do ultra-luxo brasileiro em assimilar tickets acima de R$ 100 milhões.

Listada originalmente por US$ 50 milhões, ou R$ 250 milhões à época, a propriedade agora aceita propostas a partir de R$ 100 milhões, equivalentes a cerca de US$ 20 milhões pela cotação atual próxima de R$ 5, confirmou à Bloomberg Línea a Piquet Realty, imobiliária de Miami responsável pela comercialização.

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O ajuste reacende o debate sobre a dificuldade de venda de imóveis acima de R$ 100 milhões no mercado residencial carioca e o efeito da apreciação do real sobre preços anunciados em dólar.

Nesta segunda-feira (27), o dólar chegou a ser cotado na mínima de R$ 4,96, com queda acumulada de 9,5% no ano, sustentada pelo diferencial de juros, fluxo estrangeiro e desempenho das exportações de commodities. Em dólares, a casa, originalmente listada por US$ 50 milhões, equivale agora a cerca de US$ 20 milhões.

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A pressão sobre vendedores que precificam em dólar deve continuar. No boletim Focus desta segunda-feira (27), o Banco Central revisou para baixo a projeção do mercado para o câmbio no fim de 2026, de R$ 5,39 para R$ 5,25. Para 2027 e 2028, as estimativas permaneceram em R$ 5,35 e R$ 5,40, respectivamente.

Casa de 6.000 m² no condomínio Joatinga tem piscina semiolímpica, sete suítes e vista desobstruída para o oceano e a Pedra da Gávea.

Liliane Carneiro Costa, fundadora da LCC Consultoria e Empreendimentos, que mantém em carteira imóveis de alto padrão em Copacabana, Flamengo, Leblon, Arpoador e Jardim Botânico, observa que a janela cambial pesa nos dois sentidos para quem opera em dólar.

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“Para o estrangeiro que recebe em dólar, no momento ficou um pouco mais caro pagar aqui em reais. Por outro lado, se ele tiver um imóvel aqui e precisar vender com alguma urgência, é uma boa hora. Pode até dar um desconto porque irá converter em dólares e travar o valor antes que o câmbio mude”, observa a corretora à Bloomberg Línea.

O imóvel ocupa 6.000 m² de terreno plano, mais de 2.000 m² de área construída, com sete suítes, 18 banheiros, 15 vagas de garagem, piscina semiolímpica, academia, cinema, escritório com entrada independente para 20 pessoas e casa de hóspedes.

A 100 metros acima do nível do mar, acima da Cota 100 prevista no Plano Diretor do Rio, tem vista desobstruída para o oceano e para a Pedra da Gávea garantida por restrição urbanística, uma vantagem regulatória difícil de replicar no estoque carioca.

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Para Costa, o caso ilustra a lógica peculiar de precificação no topo do mercado. Imóveis acima de R$ 100 milhões têm um universo bem reduzido de clientes e, se o proprietário tiver urgência em vender, reduzir o preço é uma opção, aponta a corretora.

“No mercado de luxo em geral o metro quadrado não define o preço. O imóvel é avaliado por um conjunto: localização, terreno, projeto, acabamento e, neste caso, vem a questão de ser único, principalmente por ser uma casa”, lembra.

“Quem compra um imóvel de alto padrão está comprando o imóvel que sempre sonhou ou desejou. Qual o valor de um sonho?”.

A consultora diz não trabalhar a venda da casa d, mas observa que “cada imóvel é único e existe um cliente que vai se identificar com ele. A casa me parece ser espetacular”.

Mansão do Marcio Garcia

No portfólio da LCC, um exemplo de imóvel troféu na faixa intermediária do luxo carioca é uma cobertura duplex de 1.300 m² na Praia do Flamengo, listada por R$ 18 milhões.

Trata-se de um apartamento histórico de 1925, encomendado por Octávio Guinle e assinado por Joseph Gire, o mesmo arquiteto do Copacabana Palace e do Hotel Glória.

“É um imóvel histórico, com pinturas originais nas paredes. São dois andares: um andar tipo mais um terraço com uma vista deslumbrante”, descreve.

Em resposta a um e-mail enviado pela Bloomberg Línea, Cristiano Piquet, presidente e fundador da imobiliária com escritórios em Miami, Orlando, Nova York, Lisboa, Cascais e Porto, confirmou o retorno à mesa de negociações por R$ 100 milhões. Marcio Garcia não teria pressa para vender, e a decisão de listar a casa veio do fato de os filhos estarem saindo e o espaço ter se tornado excessivo para a família, segundo Piquet declarou ao jornal O Globo.

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