Bloomberg Línea — A Havanna decidiu manter o calendário de aberturas de lojas no ano enquanto o grupo que responde pela marca no Brasil renegocia R$ 127,7 milhões com credores.
A rede argentina afirma que planeja ainda inaugurar mais de 60 unidades no país até dezembro, número que equivale a quase um quarto da base instalada de mais de 250 lojas, a maior parte em modelo de franquia.
“A Havanna segue avançando em seu plano de expansão no Brasil. Até o fim de 2026, mais de 60 novas unidades serão inauguradas no país, incluindo a loja do Jardim Sul”, diz a companhia em nota.
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A expansão brasileira ganha peso desde que a matriz contratou o UBS BB, em setembro de 2024, para avaliar alternativas de negócios, entre elas a venda das operações na América Latina, conforme a companhia informou à Bloomberg News à época.
Em São Paulo, o plano de expansão se materializa em ritmos diferentes. A loja do Shopping Jardim Sul, na zona sul, está prevista para setembro, informou a equipe do empreendimento, administrado pela Ancar.
No mesmo intervalo, o ponto no piso térreo do Shopping Cidade São Paulo, na avenida Paulista, está fechado e com tapume. A unidade operava no formato híbrido de cafeteria e sorveteria, e o espaço segue sem novo ocupante.
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A saída ocorreu em menos de um ano de operação, prazo curto para um endereço de aluguel elevado, e sinaliza revisão de ponto ou de formato. A companhia não informou o motivo do encerramento nem se houve outros fechamentos no ano.

Competição gelada
O formato indicado pela rede para a próxima abertura, a heladeria [sorveteria], é o de maior disputa no varejo de shopping neste momento com reorganização de espaços e chegada de novas marcas em um mercado pulverizado de nomes regionais e multinacionais explorando diversos canais, formatos e faixas de preços na categoria de sorvetes.
A saída da Häagen-Dazs do país, com o encerramento da distribuição pela General Mills, abriu espaço no topo do sorvete de massa, que concentra 73,47% da preferência nacional, segundo pesquisa da Abrasorvete (Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis).
Entre as concorrentes em expansão, a Bacio di Latte, que soma mais de 240 lojas próprias e 8.000 pontos de venda, e a Borelli, que tem mais de 260 unidades franqueadas com plano de chegar a 300 até o fim de 2026. No próprio Cidade São Paulo, a chinesa Mixue abriu uma das duas primeiras lojas brasileiras em abril, por outra faixa de preço.
Parceria com Azul
A marca argentina também amplia receita fora da loja física. Em abril, fechou parceria com a Azul (AZUL53) para distribuir 30 mil alfajores no serviço de bordo dos voos internacionais que partem de Viracopos, em Campinas, com destinos nos Estados Unidos, em Portugal, na Espanha e no Uruguai, substituindo a sobremesa da classe econômica no período.
O portfólio inclui salgados, cafés, tabletes, ovos de Páscoa, panetones e os Havannets, cones recheados de doce de leite. Fundada em 1939 na Argentina como fábrica de alfajores, a Havanna está em 2.500 pontos de venda em 12 países e opera no Brasil desde 2006.
O plano de aberturas convive com a reorganização do passivo do grupo controlado pelo empresário Marcos Rothenberg. O processo reúne seis empresas na 1ª Vara Regional de Competência Empresarial de São Paulo.
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As companhias entraram juntas porque cada uma garante as dívidas das demais junto ao Banco do Brasil (BBAS3), ao Banco Pine e ao Banco Sofisa. O plano prevê deságio de até 95% sobre os créditos abrangidos, carência de 12 meses e pagamento em até 10 anos, com o fundo Explorer como maior credor individual, a receber R$ 45,8 milhões.
Em nota à Bloomberg Línea, a empresa atribui o processo a obrigações do grupo acionista.
“O processo de recuperação extrajudicial foi iniciado em função de obrigações contratadas por outras empresas do grupo acionista da Havanna, sem relação com questões operacionais ou financeiras da Havanna, que é solidária nas obrigações financeiras do grupo. Este processo de recuperação tem como objetivo justamente garantir que obrigações solidárias das empresas não afetem a capacidade operacional, os compromissos da Havanna com seus fornecedores, franqueados e parceiros”, afirma a companhia.
Renegociação e pessimismo
O instrumento da recuperação extrajudicial vem sendo adotado por empresas de alimentos que ainda operam com capacidade preservada, caminho que o GPA (PCAR3) também seguiu meses atrás para renegociar parte do endividamento.
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O sócio do Godke Advogados Fernando Canutto avalia que o formato permite negociar com classes específicas de credores, com mais discrição, custo menor e prazo mais curto que a recuperação judicial, o que reduz o impacto sobre a cadeia de fornecedores.
O calendário de aberturas da Havanna encontra um consumidor em retração. O ICC (Índice de Confiança do Consumidor) da FGV (Fundação Getulio Vargas) caiu 3,6 pontos em agosto, para 84,7, menor nível desde novembro de 2022, segundo relatório do Goldman Sachs.
O componente de expectativas recuou 5,4 pontos, para 86,1, piso desde julho de 2022, e os dois indicadores seguem abaixo de 100, faixa que o banco classifica como território pessimista.








