Bloomberg — A Compass, empresa de gás controlada pela Cosan, busca levantar até R$ 3,1 bilhões naquela que pode ser a primeira oferta pública inicial (IPO) na bolsa brasileira em quase cinco anos.
A companhia planeja oferecer 89,3 milhões de ações atualmente detidas por alguns de seus acionistas, sem considerar os lotes adicionais, de acordo com um comunicado publicado na terça-feira.
Se o preço for fixado no topo da faixa, que vai de R$ 28 a R$ 35 por ação, a venda daria à empresa um um valor de mercado de quase R$ 25 bilhões.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
A definição de preço da oferta está prevista para 7 de maio, com o início das negociações agendado para 11 de maio.
Seria o primeiro IPO na B3 desde 2021, quando diversas empresas — incluindo a Raízen, parte do mesmo conglomerado — abriram capital.
Outras empresas brasileiras, como o Nubank e o PicPay, fizeram IPOs desde então, mas optaram por listar suas ações nos Estados Unidos.
Leia também: Raízen envia nova proposta a credores, mas resiste à saída de Ometto, dizem fontes
A Cosan tentou inicialmente realizar o IPO da Compass em 2020, mas a oferta foi cancelada devido ao agravamento das condições de mercado.
Os planos foram retomados em um momento em que o conglomerado busca vender ativos e reduzir a alavancagem, já que uma série de investimentos não lucrativos e as altas taxas de juros têm pesado sobre os resultados.
No ano passado, a Cosan firmou um acordo para captar até R$ 10 bilhões com investidores como BTG Pactual Holding. A Raízen, produtora de açúcar e etanol — uma joint venture entre a Cosan e a Shell — está passando por um processo de recuperação extrajudicial.
Em um comunicado separado, a Cosan afirmou que poderá vender ações que representam aproximadamente 15% do capital social da Compass.
A Compass disse que resultados preliminares e não-auditados apontam para um lucro líquido entre R$ 328,5 milhões e R$ 401,5 milhões no primeiro trimestre deste ano.
Em comparação, o resultado no mesmo intervalo do ano anterior foi de R$ 420,5 milhões, com a redução se devendo em parte a maiores despesas financeiras e de depreciação.
A oferta será totalmente secundária, com um grupo de acionistas vendendo ações. Entre eles estão a Cosan, a Atmos e uma unidade do Bradesco, de acordo com o documento apresentado na terça. O BTG Pactual lidera o IPO, com Bank of America, Bradesco BBI, Citi, Itaú BBA, Santander Brasil, JPMorgan Chase, XP Investimentos, BNP Paribas e o UBS BB atuando como coordenadores.
Veja mais em bloomberg.com
Leia também
Cosan avalia fazer IPO da Compass em meio a esforço para reduzir endividamento
©2026 Bloomberg L.P.






