Como a crise da Casas Bahia afeta a parceria com o Mercado Livre, segundo o Citi

Analistas apontam impacto da recuperação judicial da varejista na parceria estratégica com a Mercado Livre firmada em novembro de 2025; na Nasdaq, ação da plataforma de e-commerce cai mais de 3%

Casas Bahia, uma das maiores varejistas do país, enfrenta dificuldades financeiras e busca recuperação da operação (Foto: Bloomberg Línea)
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Bloomberg Línea — O pedido de recuperação judicial da Casas Bahia (BHIA3), protocolado neste segunda-feira (17), acendeu alertas sobre os reflexos para o setor varejista e para seus concorrentes diretos.

Em relatório assinado pelos analistas João Pedro Soares e Felipe Husein, o Citi classificou o impacto sobre a gigante Mercado Livre (MELI) como marginalmente negativo, embora enxergue alguns aspectos positivos no médio prazo.

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As ações da Mercado Livre chegaram caíram mais de 3% na Nasdaq, enquanto a Magazine Luiza (MGLU3), concorrente histórica da Casas Bahia, viu suas ações dispararem 8,18% na B3.

Procurada pela reportagem, a Mercado Livre informou que “neste momento a parceria comercial com o Grupo Casas Bahia segue ativa e operando normalmente na plataforma”.


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O grupo varejista entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar uma dívida de R$ 17,3 bilhões, após uma tentativa frustrada de captar recursos com investidores internacionais.

A companhia atribui a decisão à “deterioração das condições econômico-financeiras”, marcada por juros elevados, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e capital de giro.

Leia também: Casas Bahia protocola recuperação judicial após quatro anos de alerta do mercado

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Para o Citi, o impacto sobre a Mercado Livre é marginalmente negativo, principalmente devido à parceria estratégica firmada entre as duas empresas em novembro de 2025.

O acordo previa que a Casas Bahia vendesse eletrodomésticos, eletrônicos e móveis dentro da plataforma da Mercado Livre, suprindo uma lacuna histórica no sortimento da plataforma, especialmente em categorias de produtos volumosos e pesados.

A parceria era vista como estratégica para a Mercado Livre escalar a venda de eletrodomésticos, um segmento em que tradicionalmente tem baixa penetração.

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O Citi aponta que a Casas Bahia tem participação pequena no mercado digital brasileiro, de 2% no marketplace (3P) e menos de 5% no total de vendas online, com aproximadamente 1 milhão de usuários ativos diários, contra cerca de 6 milhões da Magazine Luiza, que tem parceria com o gigante chinês AliExpress desde 2024.

O copo meio cheio

O relatório do Citi também enxerga aspectos positivos. Com a recuperação judicial, o modelo 1P (venda direta) da Mercado Livre poderá se beneficiar da melhoria nas negociações com fornecedores, já que a plataforma poderá absorver parte da fatia de mercado da Casas Bahia.

No primeiro trimestre de 2026, a Mercado Live indicou que, apesar de ainda impactar negativamente as margens, estas têm melhorado consistentemente devido à escala e à tecnologia implementada para melhor gerenciar compras, preços e estoques. O modelo 1P da Mercado Livre alcançou contribuição direta positiva em 2024.

Leia também: Mercado Livre e Casas Bahia acertam parceria para compartilhar rede logística

O Citi também menciona que, em um cenário de taxas de juros mais favoráveis, a Casas Bahia poderia ressurgir como um player mais relevante no mercado, embora sua presença seja relativamente modesta hoje .

O que esperar da recuperação judicial

A Casas Bahia já havia passado por uma recuperação extrajudicial em 2024, renegociando cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com Banco do Brasil e Bradesco . O plano alongou o prazo médio da dívida de 22 meses para 72 meses e reduziu em 1,5 ponto percentual o custo médio, mas não foi suficiente para conter a deterioração financeira.

A empresa afirma que pretende manter as operações em todos os canais durante o processo. Na prática, a recuperação judicial serve como uma forma de preservar caixa, suspender execuções e evitar uma corrida individual de credores. A decisão, embora drástica, pode abrir espaço para a varejista reestruturar suas finanças sem a pressão imediata de suas obrigações de curto prazo, segundo analistas.

Para os investidores, o cenário permanece incerto. As ações da Casas Bahia acumulam desvalorização expressiva no ano, e a recuperação judicial tende a manter a pressão sobre os papéis. Para os concorrentes, especialmente o Mercado Livre, o movimento representa um ajuste fino em suas estratégias, com impactos limitados no curto prazo, segundo analistas.

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