Citi eleva recomendação da Magalu para neutra, mas mantém classificação de alto risco

Banco abandona orientação de venda para as ações da varejista, mas ainda evita adotar sugestão de compra devido ao cenário macroeconômico desfavorável ao consumo como juros elevados e demanda mais fraca para categorias da linha branca, foco do Magalu

Com 1.246 unidades em 20 estados, as lojas físicas da Magazine Luiza cresceram 8,7% no último trimestre e ultrapassaram R$ 20 bilhões em vendas anuais pela primeira vez — enquanto a varejista encerra 2025 com caixa de R$ 8 bilhões e dívida em queda.

Bloomberg Línea — O banco americano Citi deixou de recomendar a venda das ações da Magazine Luiza (MGLU3) e passou para uma posição neutra, ou seja, não indica comprar nem vender os papéis.

O selo de alto risco, porém, foi mantido pela instituição, o que indica que os analistas ainda enxergam volatilidade relevante no horizonte.

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Apesar da visão de maior cautela divulgada pela insituição, as ações registravam alta de 3,93% com cotação de R$ 5,55 no final da manhã desta sexta-feira (5), em um movimento que indica ajuste técnico diante da desvalorização de 42% nos últimos 12 meses.

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A mudança ocorre após os papéis acumularem queda de cerca de 40% apenas no acumulado deste ano.

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Para o Citi, essa desvalorização já incorpora boa parte dos problemas conhecidos: juros elevados por tempo prolongado e demanda mais fraca em produtos como televisores, geladeiras e eletrodomésticos, que são categorias centrais para a varejista.

O banco destacou dois movimentos positivos na operação da empresa. O primeiro é o retorno do foco às lojas físicas, canal em que a Magalu tem presença consolidada e margens mais altas do que no ambiente digital.

O segundo é o controle de despesas: os gastos com vendas, administração e estrutura geral cresceram abaixo da inflação em dez dos últimos 13 trimestres, um dado interpretado pelos analistas como sinal de disciplina operacional.

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Para o segundo trimestre de 2026, o Citi projeta crescimento de 8% nas vendas em mesmas lojas físicas, impulsionado pelos torneios de futebol do período, que historicamente elevam a procura por televisores e eletrônicos.

O canal digital, por outro lado, segue pressionado. O banco estima queda de 5% no volume de vendas do marketplace, plataforma que conecta vendedores terceiros aos consumidores, no segundo trimestre deste ano, frente ao mesmo período de 2025.

Uma recuperação nesse segmento só é esperada para o segundo semestre, quando as bases de comparação ficam menos desfavoráveis.

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O ponto de maior atenção é o endividamento. A relação entre a dívida líquida da empresa e o resultado operacional ultrapassou três vezes no primeiro trimestre de 2026. Em um cenário de juros elevados, esse nível de alavancagem pressiona as despesas financeiras e reduz o lucro.

O Citi revisou para baixo suas estimativas de resultados e passou a projetar lucro de R$ 113 milhões em 2026 e R$ 425 milhões em 2027, ante R$ 273 milhões e R$ 552 milhões nas projeções anteriores.

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A lógica por trás da atualização é de uma avaliação mais relativa em relação à empresa. Com as ações sendo negociadas a menos de dez vezes o lucro estimado para 2027, o Citi entende que o preço atual já desconta os principais riscos conhecidos.

O preço-alvo foi fixado em R$ 6,50 por ação, ante R$ 7,00 anteriormente, uma redução que reflete os resultados abaixo do esperado no primeiro trimestre e o impacto de juros mais altos nas despesas financeiras da companhia.

A mensagem do banco é que a Magazine Luiza deixou de ser uma aposta claramente desfavorável, sem que tenha se tornado, ainda, uma história de recuperação consolidada.

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