Bloomberg — O CEO do HSBC, Georges Elhedery, alertou que a inteligência artificial vai “destruir” determinados cargos enquanto cria novas funções e pediu que os funcionários se adaptem à transformação tecnológica em vez de resistirem a ela.
“Todos nós sabemos que a IA generativa vai destruir certos empregos e criar novos empregos”, disse Elhedery nesta quarta-feira (20), durante uma sessão com investidores e analistas em Hong Kong.
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Ele ressaltou a importância de manter os funcionários engajados e afirmou que os colaboradores precisam estar “na jornada conosco, não lutando contra nós, nem se sentindo excluídos, ansiosos, sobrecarregados ou resistentes à mudança”.

O tom moderado contrasta com o adotado pelo CEO do Standard Chartered Plc, Bill Winters.
Um dia antes, Winters fez uma avaliação mais dura sobre o impacto da automação, ao afirmar que o avanço da IA eliminará milhares de vagas à medida que o banco substituir o que chamou de “capital humano de menor valor” por tecnologia.
No início deste mês, John Waldron, presidente e diretor de operações do Goldman Sachs Group, descreveu as operações tradicionais do banco como uma “linha de montagem humana” pronta para ser automatizada.
As declarações de Winters provocaram reação negativa nas redes sociais e em um dos principais mercados do banco. A ex-presidente de Singapura Halimah Yacob criticou a linguagem usada em uma publicação no Facebook e classificou como “perturbadora” a forma como os trabalhadores foram descritos.
Embora Elhedery tenha reconhecido a disrupção iminente, afirmou que o HSBC oferece treinamento e suporte em programação aos funcionários.
Atualmente, o banco usa IA para acelerar a integração de clientes e reforçar o monitoramento de riscos ligados a crimes financeiros.
As declarações de Elhedery abriram um seminário de dois dias na Ásia para apresentar a estratégia de crescimento do banco sediado em Londres. O executivo passou os primeiros meses deste ano trabalhando em Hong Kong, maior e mais lucrativo mercado do HSBC.
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Ainda assim, a guinada tecnológica aponta para uma força de trabalho mais enxuta. A Bloomberg informou em março que o HSBC avalia cortes profundos de empregos nos próximos anos, com Elhedery apostando na IA para reduzir áreas administrativas e operacionais do banco.
As mudanças podem afetar cerca de 20 mil cargos — ou aproximadamente 10% do quadro total de funcionários —, segundo uma pessoa familiarizada com as discussões, em março.
Cerca de 30% das horas de trabalho nos setores financeiro e de seguros poderão ser automatizadas até 2030, segundo estimativas da McKinsey & Co.
E mais da metade dos empregos no setor bancário têm alto potencial de substituição por tecnologia, de acordo com pesquisa do Citigroup.
--Com a ajuda de Ambereen Choudhury.
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