BTG e C6 entram na disputa por mercado de benefícios que movimenta R$ 150 bi ao ano

Cartão BTG Benefícios chega com bandeira Mastercard, gestão integrada à folha de pagamento e cadastro por lista de espera; C6 Bank anunciou emissão própria na mesma semana, e o decreto do PAT derrubou a barreira que protegia Alelo, VR, Ticket e Pluxee

cartão do BTG Pactual no aplicativo
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Bloomberg Línea — BTG Pactual e C6 Bank anunciaram nesta semana planos para entrar no mercado de vale-alimentação (VA) e vale-refeição (VR), que movimenta cerca de R$ 150 bilhões por ano, em meio a mudanças regulatórias que reduziram barreiras e abriram espaço para uma nova fase de competição no setor.

O BTG Pactual (BPAC11) apresentou a empresas o Cartão BTG Benefícios, que reúne os dois vales em um único cartão de bandeira Mastercard, com cadastro por lista de espera e sem data informada para o início da emissão.

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Já o CEO e fundador do C6 Bank, Marcelo Kalim, afirmou à Bloomberg Línea na terça-feira (18) que o banco digital emitirá os benefícios em operação própria no segundo semestre, sem parceiro por enquanto.


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Estratégia do BTG

Na plataforma do BTG, as áreas de recursos humanos poderão fazer recargas, emitir versões físicas e virtuais, acompanhar a operação em tempo real e conectar a gestão aos sistemas de folha de pagamento. O banco pretende reunir parceiros de benefícios em um mesmo ambiente, o que reduziria o número de contratos e de painéis que o departamento pessoal precisa administrar.

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Do lado do trabalhador, o cartão funciona em compras presenciais, no comércio eletrônico e por carteiras digitais. O colaborador ativa o produto, gera a via virtual e consulta saldo e transações no aplicativo BTG Banking, com pagamento por aproximação e emissão de vias adicionais que compartilham o mesmo saldo, recurso voltado a quem divide as compras de alimentação com familiares.

“Estamos trazendo para o mercado de benefícios a experiência digital, a segurança e a qualidade de atendimento que fazem parte do padrão BTG”, afirmou Marcelo Flora, sócio-diretor do BTG Pactual e responsável pelas plataformas digitais do banco, em nota.

Leia mais: C6 planeja entrar em vale-refeição com operação própria no 2º semestre, diz CEO

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O BTG já vende às companhias conta digital PJ, cartão corporativo, antecipação de recebíveis, seguros e crédito, e o benefício ocupa mais uma linha do mesmo relacionamento.

Ao administrar a folha, o banco também busca se aproximar dos funcionários dessas empresas, público que passa a ter saldo e movimentação em um aplicativo do próprio grupo. Kalim descreveu no C6 uma lógica equivalente.

Leia também: Gigantes do mercado de vale-refeição vão ao STF contra decreto do governo

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Do outro lado da disputa estão as plataformas nascidas no ambiente digital. A Flash anunciou R$ 400 milhões em investimento para 2026, valor 60% superior ao de 2025, com meta declarada de liderar o mercado até 2030, e a Caju ampliou a oferta para gestão de despesas corporativas e de pessoas.

Mercado de R$ 150 bi ao ano no radar

O segmento de VA e VR, incentivado pelo PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), movimenta cerca de R$ 150 bilhões por ano, segundo dados da ABBT (Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador), e alcança mais de 22 milhões de trabalhadores, conforme o Ministério do Trabalho e Emprego.

As associadas da entidade, entre elas Alelo, VR, Ticket, Pluxee e UP Brasil, respondem por mais de 90% do mercado, pelo cálculo da própria associação.

O Decreto 12.712/2025 obrigou operadoras com mais de 500 mil usuários a abrir seus arranjos de pagamento desde 11 de maio, fixou teto de 3,6% para o MDR (taxa cobrada do estabelecimento) e de 2% para a tarifa de intercâmbio, reduziu o prazo de repasse ao comerciante para 15 dias e proibiu o rebate.

A interoperabilidade plena, quando qualquer cartão do programa funcionará em qualquer maquininha, tem prazo em novembro.

Sem a obrigação de montar rede própria, a malha de estabelecimentos que sustentava a posição das líderes deixa de ser ativo exclusivo e passa a ser infraestrutura compartilhada. Assim, o custo de entrada cai para quem já tem estrutura de emissão e carteira corporativa formada.

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